Começa nesta segunda-feira (22), em Imperatriz, o julgamento de Jordélia Pereira Barbosa, acusada de envenenar um ovo de Páscoa que provocou a morte dos irmãos Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda, de 13. A mãe das crianças também consumiu o chocolate, foi intoxicada e precisou ser internada em estado grave.
A ré será julgada pelo Tribunal do Júri pelos crimes de duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio por envenenamento. O caso aconteceu em abril de 2025 e ganhou repercussão nacional pela gravidade do crime e pelas circunstâncias que envolveram a entrega do ovo de Páscoa às vítimas.
Mais de um ano após a morte das crianças, familiares aguardam a decisão da Justiça sobre a responsabilidade da acusada no caso.
Dinâmica do crime e investigações
De acordo com os autos do processo do Ministério Público do Maranhão (MPMA), o doce foi enviado à residência da família acompanhado de um bilhete com mensagens afetivas falsas. Sem suspeitar de adulteração, Mirian Lira consumiu o chocolate junto com os filhos Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos.
Pouco após a ingestão, as três vítimas deram entrada em estado grave em uma unidade hospitalar com sintomas severos de intoxicação. O menino de 7 anos faleceu poucas horas depois de ser internado, enquanto a adolescente resistiu por cinco dias antes de vir a óbito. A mãe permaneceu em tratamento intensivo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde precisou ser intubada, e sobreviveu após semanas de hospitalização.
A investigação da Polícia Civil do Maranhão apontou que a motivação do crime foi ciúmes e vingança. A acusada, que residia em Santa Inês e trabalhava no ramo da estética, suspeitava de um envolvimento afetivo entre Mirian e seu ex-companheiro.
“As apurações demonstraram que a ré utilizou disfarces, como uma peruca, e identidades falsas para encomendar e despachar o produto via motoboy sem levantar suspeitas imediatas”, informou o relatório policial à época.
Provas periciais e andamento judicial
Jordélia Pereira Barbosa foi presa preventivamente em 17 de abril de 2025 e permanece detida no sistema prisional. Em sede de depoimento, a acusada confirmou que adquiriu e ordenou a entrega do chocolate para a residência das vítimas, mas alegou inocência quanto à manipulação de substâncias tóxicas.
Contudo, laudos periciais do Instituto de Criminalística (IC) constataram a presença de veneno no produto, nas amostras biológicas colhidas das vítimas e em materiais apreendidos nas propriedades da suspeita.
A decisão de pronúncia que determinou o envio do caso para o Tribunal do Júri foi assinada ainda no fim de 2025. A defesa da ré ingressou com recursos no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), contestando a tipificação penal e solicitando a anulação da pronúncia, o que suspendeu temporariamente o andamento do cronograma.
Com o esgotamento dos recursos e a manutenção da decisão de primeira instância pelas câmaras criminais, o Poder Judiciário fixou a data do julgamento para o final deste mês, onde o Conselho de Sentença, formado por cidadãos locais, decidirá pela condenação ou absolvição da ré.