Com temperatura média anual em torno de 29 graus centígrados, São Luís é uma ilha que convida à sombra e água fresca. Ou, para os mais chegados aos bons sabores, um sorvete. A partir dessa constatação a produtora cultural Ópera Night (o nome artístico remonta à passagem do jamaicano Jimmy Cliff pela ‘Ilha do Amor’) decidiu enveredar no negócio dos sabores gelados.
“Eu sou produtora cultural e na pandemia não tinha como fazer produção. Então tive que me reinventar e aí me veio a ideia de montar uma sorveteria”, lembra Ópera. Foi então que abriu as portas da Sorveteria Vitória ao público, um ponto turístico que se consolida cada vez mais na cidade como referência gastronômica.

A começar pelo endereço: a sorveteria fica estrategicamente em um dos endereços mais emblemáticos do centro histórico da cidade: o Beco Catarina Mina. Inspirada, Ópera também vinculou o cardápio de sabores à obra de nomes da constelação de artistas populares maranhenses.
Nessa afinação com a música conquistou retalhos do trabalho do cantor, compositor e artista plástico Betto Pereira para dar o toque decorativo do interior da sorveteria. Estava então pronto o ambiente para atender visitantes e conterrâneos. Faltava o toque especial da produtora/empresária: a receita de sabores exóticos, referenciados sobretudo na culinária ancestral e tradicional maranhense.
“Fiz diversos cursos, mas mudei muita coisa já que todos eles ensinavam o sorvete tradicional com emulsificante, corante, saborizante da fruta e corante. Então me dediquei a criar um produto que além de ser saboroso seja também saudável”, conta a dona da sorveteria que na alta estação passada viu filas se formarem em sua porta.
O cardápio que ressalta os sabores maranhenses é o principal atrativo. Na receita, além de sabores tradicionais, a predominância são aqueles retirados do sumo das frutas da terra, como bacuri, cupuaçu, buriti, abricó, jenipapo, sapoti, manga, caju, cajá entre tantos outros.
De onde sai a inspiração para a confecção desse cardápio que tem despertado paladares e curiosidades gastronômicas. “Somos um estado com uma diversidade de frutas incrível que deveria ser mais explorada. Transformar essas frutas em sorvete é valorizar e também incentivar as pessoas a tomarem conhecimento da potência dos sabores nativos”, ressalta Ópera Night.
Recentemente, a Sorveteria Vitória mexeu com a gastronomia tradicional da cidade apresentando seu sabor inusitado para o cardápio da iguaria: o sorvete ‘Ilha do Amor”, ou descrevendo mais claramente o sabor; sorvete de arroz de cuxá com camarão caramelizado.
No espectro do cardápio incomum há escolhas inexplicáveis. O bacuri é o favorito, mas disputa cartucho a cartucho com o de tapioca com coco e cupuaçu. “Os turistas pedem muito bacuri e adoram os sabores refrescantes como capim limão e manjericão. Também pedem bastante as frutas típicas como sapoti e jenipapo para provar”, destrincha a empresária com orgulho contido de quem detém segredos.
Em comentário nas redes sociais, o jornalista José Ribamar Gomes, o Gojoba, observou a importância de uma sorveteria que dentre suas qualidades cativasse o vínculo com a população de maneira efetiva e afetiva. A Sorveteria Vitória, segundo Gojoba, resgata aqueles endereços que no passado tinham força de atração tamanha a ponto de se tornar uma metonímia, aquela figura de linguagem que troca o todo por uma parte. É dessa forma que caminha a Sorveteria Vitoria em relação ao sabor maranhense.
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