TEATRO

Caranguejo Overdrive em cartaz na Ilha no palco do TAA

Em turnê nacional, espetáculo musical tem patrocínio da Petrobrás, e dialoga com a estética do movimento manguebeat.

Reprodução

Dialogando com a estética do movimento manguebeat para fazer uma denúncia social contra as transformações urbanas e o impacto sobre seus habitantes, com execução ao vivo de música eletrônica e tambores de maracatu. Este é o fio condutor da espetáculo musical Caranguejo Overdrive, da Aquela Cia. de Teatro (RJ), em grande elenco, estará em cartaz na capital maranhense nesta quarta-feira (5) equinta-feira (6)  às 20h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol – Centro). Além das apresentações, o grupo carioca fará oficina nos mesmos dias, de 09h às 16h, no Ballet Olinda Saul, Rua do Sol, 140, ao lado do Arthur Azevedo direcionada a profissionais de teatro e estudantes de artes, e também realiza encontro com grupo local, no dia 06 de junho, quinta-feira, de 16h às 18h.

O espetáculo Caranguejo Overdrive que tem patrocínio do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura, está em turnê nacional, iniciada em Goiânia (GO), passou por Belém  (PA) e Teresina (PI) e agora São Luís (MA). Caranguejo Overdrive Inspirada no Manguebeat de Chico Science, Caranguejo Overdrive narra a saga de Cosme, um ex-catador de caranguejos no mangue carioca na segunda metade do Século 19. Ele foi convocado a servir no exército brasileiro durante a Guerra do Paraguai e acabou enlouquecido no campo de batalha. Quando Cosme volta ao Rio de Janeiro, encontra uma cidade caótica em transformação. Ele não sabe se é um homem, um caranguejo, um soldado ou um operário.

 Desde que estreou em 2015, o espetáculo agradou público e crítica, recebendo os principais prêmios, como Shell e APTR (Associação de Produtores de Teatro do Rio), nas categorias Autor, Direção e Atriz, e Cesgranrio (Direção e Texto). Caranguejo Overdrive conta com a direção de Marco André Nunes e texto de Pedro Kosovski. Foi escolhido pelo programa de Patrocínio da Petrobrás, através de seleção pública que contemplou projetos de circulação de espetáculos teatrais não inéditos, em parceria com o Ministério da Cultura.

Ao todo, foram escolhidos 57 trabalhos, representantes das cinco regiões do país, com apresentações em todos os estados. O investimento neste último edital, foi de R$ 15 milhões. A título de curiosidade, por coincidência ou não, a peça teatral virá para São Luís, capital do estado de maior área de manguezais do país, responsável por 36% dresponsável por 36% do ecossistema no Brasil, seguido do Pará (28%) e Amapá (16%), de acordo com o Atlas dos Manguezais do Brasil, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo as análises, a área do ecossistema situada no norte brasileiro constitui a maior porção contínua sob proteção legal em todo o mundo. É um elo imprescindível na corrente alimentar marinha. Os bosques de mangues, regados pelas marés, além de proteger os continentes da erosão e reduzir a poluição das praias, garantem comida farta para a fauna dos oceanos.

Sobre as oficinas em São Luís

Na proposta da Aquela Cia. pretende-se por meio de promover diálogos com os artistas maranhenses através de oficina e integração com grupo local. Pois, trata-se de uma criação colaborativa, onde a dramaturgia, norteada por referências e conceitos, se produz a partir dos atravessamentos com a concepção cênica do diretor e o trabalho de composição dos atores. Nessa troca, questões recorrentes relacionadas à metodologia de criação e experimentações com exercícios de escrita e de composição cênica, desenvolvidos pela Companhia ao longo de 14 anos de trabalho farão parte da didática da oficina, conduzida pelo dramaturgo Pedro Kosovski, que também irá abordar estratégias de criação que relacionam a criação teatral às políticas da memória. Peça Homem-caranguejo ambientada no século 19, a peça apresenta-se atual.

A saga de ex-catador de caranguejos

A trama de Caranguejo Overdrive narra a saga de Cosme, um ex-catador de caranguejos no mangue carioca, que é convocado a lutar ao lado do Exército Brasileiro, na Guerra do Paraguai. Depois de sofrer um colapso mental no meio do campo de batalha, ele é dispensado e, ao voltar para a sua terra natal, encontra um Rio de Janeiro caótico e em transformação. A cidade, com suas convulsões urbanísticas, está irreconhecível para esse homem. Cosme procura novamente o mangue, região que, em 1870, era conhecida como Rocio Pequeno – e hoje, Praça 11. Ele consegue um emprego na construção do canal que representou a primeira grande obra de saneamento na capital carioca. Cosme já não sabe mais se é homem, caranguejo, soldado ou operário. Sua crise o obriga a abandonar tudo, a vagar pela noite, a mergulhar no delírio e a assumir, finalmente, a forma do crustáceo.

O homem-caranguejo vive na lama. Apesar do drama vivido pelo protagonista, Caranguejo Overdrive pode divertir o público maior de 16 anos, com bom humor e com a vibração da trilha sonora, que dialoga com a performance dos atores e atrizes: Alex Nader, Carol Virguez, Eduardo Speroni, Matheus Macena e Fellipe Marques. A banda conduzida por Felipe Storino toca canções originalmente compostas para a peça, além de clássicos do movimento Manguebeat, que imortalizaram Chico Science e a Nação Zumbi. O power trio (guitarra, baixo e bateria) é constituído por Maurício Chiari, Pedro Leal e Felipe Storino. Referência Outra referência importante da encenação é o livro Homens e Caranguejos, do escritor e geógrafo recifense, Josué de Castro, precursor dos estudos sobre a fome no Brasil.

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