CORONAVÍRUS

No Maranhão

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EMPRESARIADO RESISTENTE

Pandemia afeta negócios, mas saldo ainda é positivo no Maranhão

O isolamento social tem forçado os empresários a buscar todo tipo de informações úteis para a condução dos negócios.

Rua Grande, maior centro comercial de São Luís, durante o lockdown

Gerir um negócio nunca foi tarefa fácil. Em tempos de crise, os contorcionismos são ainda maiores para ajustar pagamentos de fornecedores, impostos e folha salarial. É preciso saber de onde tirar para não prejudicar a saúde financeira da empresa e não ter que tomar medidas mais drásticas – e amargas – depois.

Em agosto de 2017, a empresária Juliana Nascimento criou a Laços Store, uma empresa de vestuário específico – no caso, ela trabalha com tiaras personalizadas, acessórios e laços de cabelo. Até o mês de abril deste ano, eram três lojas funcionando. Uma acaba de ser fechada em definitivo. As outras duas não estão funcionando devido ao isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus. Vendas, somente online pelas redes sociais. A contenção de gastos foi inevitável.

“Só de pensar me dá vontade de chorar. Estou fazendo tratamento para síndrome do pânico”, lamenta-se a empresária, que também foi vítima da Covid-19 e se recupera da doença, que deixou uma pneumonia como conseqüência. “Não existe estabilidade. Estamos no olho do furacão tentando sobreviver de uma doença aleatória e traiçoeira. Passando por um purgatório, tentando não falir e não morrer”, compartilha Juliana.

Os tempos difíceis também atingiram os grandes empreendimentos. O isolamento social tem forçado os empresários a buscar todo tipo de informações úteis para a condução dos negócios, inclusive, sobre novas diretrizes. “O que fazíamos no passado não cabe mais para o atual momento.”, reflete Jacira Quariguasi Haickel, diretora geral do Hotel Blue Tree Towers São Luís.

A rede hoteleira já realizou um estudo, em que prevê um novo perfil para o hóspede que deve aparecer assim que o funcionamento comercial normalizar: o morador da Ilha de São Luís e de outras cidades do Maranhão. Um dos focos nesse momento inicial é a saúde e o bem-estar desse hóspede, mesmo que isso demande um gasto não-previsto anteriormente.

Jacira Quariguasi Haickel, diretora geral do Hotel Blue Tree Towers São Luís.

“Quando reabrirmos, teremos um protocolo exclusivo de limpeza e manutenção que, com certeza, atenderá às exigências e recomendações de organizações ligadas à Saúde. Estamos investindo, ainda mais, em tecnologia, a exemplo do uso do check-in on-line para que o hóspede passe o mínimo de tempo possível na recepção”, revela a gestora.

Os casos da Juliana e da Jacira são um exemplo do que tem acontecido no Maranhão, onde os efeitos da pandemia e do isolamento social ainda são fracos, causando, até aqui, mais readaptações do que falências. As empresas com registro no estado ainda se mantêm, em sua maioria, ativas, mesmo que com as portas fechadas nestes quase dois meses de pandemia.

Segundo a Junta Comercial do Maranhão (Jucema), órgão estadual responsável pelo registro de empresas, este ano, o quadro de novos negócios é positivo. No primeiro quadrimestre, foram formalizadas 12.716 empresas – crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram abertos 11.760 novos negócios. Os números são reforçados pelo cenário inverso, de fechamento de empresas. De acordo com a Jucema, até o momento, 3.689 empresas faliram em 2020. O número é menor que o registrado no mesmo período do ano passado (4.140).

Para o presidente da Jucema, Sérgio Sombra, o relatório mostra que o empresariado maranhense ainda não deixou de acreditar em um cenário mais favorável. “Além da tragédia humana, o coronavírus também tem um grande impacto para as empresas e, certamente, os empreendedores de micro e pequeno porte estão entre os mais atingidos”, ressalta.

Mesmo diante do momento de gravidade, A Jucema verificou que a formalização dos Microempreendedores Individuais (MEIs) teve um crescimento de 9,5% entre março e abril deste ano em relação ao mesmo período de 2019. De janeiro a abril, a soma da abertura de todos os portes empresariais chegou a 12.716 negócios formalizados. “É um número expressivo que reflete que os empresários estão encontrando meios para reduzir os impactos da crise em empreendimentos”, destaca o presidente da Junta Comercial.

Em alerta

“Ainda é cedo para avaliar o alcance dos prejuízos”. É assim que a Fecomércio-MA avalia o cenário. Como não se sabe até quando vão durar as restrições às atividades comerciais, a entidade reforça o discurso do momento, em que é preciso focar no combate à crise de saúde pública.

Isso não quer dizer que os prejuízos são negados, afinal, há um claro impacto provocado pelo desaquecimento generalizado do consumo, forçado por uma redução da renda das famílias e pela elevação do desemprego. “O alcance desses prejuízos só poderá ser conhecido quando pudermos voltar os olhos para uma projeção concreta de retomada da perspectiva econômica”, pondera o superintendente da Fecomércio-MA, Max de Medeiros.

Acompanhamento e orientação

Desde que foram adotadas as medidas de isolamento social, como forma de conter o avanço da pandemia do novo coronavírus no Maranhão, a Associação Comercial do Maranhão (ACM) reforçou a estrutura de atendimento on-line para ofertar serviços essenciais aos associados. A medida leva em consideração os decretos emitidos pelo Governo do Estado, além das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.

“Além disso, de forma pioneira, buscamos contribuir com os mais variados tipos de informações, importantes para os nossos associados e público em geral com a realização de lives em nossas redes sociais, disponibilizadas posteriormente no nosso canal do YouTube. Toda semana, abordamos temas estratégicos para o empresariado, que estão sendo úteis para a condução de seus negócios e que servirão para o momento pós-pandemia”, reforça o presidente da ACM, Cristiano Barroso Fernandes.

Presidente da ACM, Cristiano Barroso Fernandes

Nesses tempos, as redes sociais têm sido uma grande aliada, e fortalecem a forma de comunicar. Para o Dia das Mães, por exemplo, foi realizada uma campanha social e, em apenas 4 dias, a meta de arrecadação de dinheiro para a compra de cestas básicas foi alcançada. “Por meio delas [redes sociais], estamos atualizando, em tempo real, os decretos anunciados pelo Governo nos últimos dois meses. Também as colocamos à disposição dos empresários, para que eles possam informar aos clientes seus serviços de delivery e divulgar algumas de suas campanhas. O feedback tem sido muito positivo”, revela o representante da entidade.

“Acreditamos que, em prol do desenvolvimento do Maranhão, precisamos de união, de criar projetos conjuntos com as demais entidades representativas de classe. Mais recentemente, contribuímos para o Governo do Estado com um documento que apresentou subsídios para a criação de protocolos sanitários e de saúde que possibilitem o estudo de um plano de reabertura das atividades empresariais. Estamos com diálogo permanente”, finaliza o presidente da ACM.

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