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COMEMORAÇÃO

200 anos da imprensa no estado do Maranhão

“O Conciliador do Maranhão” foi o primeiro jornal impresso da província, lançado pela administração local, ligada ao governo português

Reprodução

Há 200 anos, em 1821, começava a circular “O Conciliador do Maranhão”, o primeiro jornal do Maranhão, se tornando o marco do início da atividade jornalística no estado. Segundo pesquisa da jornalista Roseane Arcanjo, “O Conciliador do Maranhão” foi o primeiro jornal impresso da província, lançado pela administração local, ligada ao governo português em um período de ruptura política entre a agora ex-colônia e Portugal, movimento que, em um primeiro momento, não foi seguido pelo Maranhão.

Essa conta não é minha

Para comemorar esse marco, a Universidade Federal do Maranhão está organizando uma série de eventos neste ano, que começaram no último dia 15, com a abertura oficial das Comemorações dos 200 Anos da Imprensa no Maranhão. As atividades estão sendo organizadas e efetivadas pela Diretoria de Comunicação da UFMA. De julho a outubro, está programado o lançamento de documentário; podcasts; webstorie; long form, e, em novembro, a entrega da “Comenda 200 anos da imprensa no Maranhão”, uma honraria que a UFMA vai oferecer a 50 personalidades e entidades da imprensa no estado, um seminário temático para apresentação de pesquisas na área e lançamento de um livro temático, de nome provisório: “Imprensa no Maranhão: 200 anos de história”. “Para efetivar essas e outras iniciativas – como a produção de um videodocumentário, um podcast com 5 episódios, um material especial para o Portal da UFMA e uma WebStorie, para redes sociais, vamos buscar parcerias que nos ajudem a fazer uma grande comemoração dessa data, à altura do que essa imprensa bicentenária merece”, afirmou o vice-reitor e diretor de comunicação da UFMA, Marcos Fábio.

Primeira edição impressa foi em novembro

Os 200 anos da imprensa no Maranhão, marcado pelo dia 15 de abril, mesmo dia em que está grafada a primeira impressão tipográfica de “O Conciliador”, chamou a atenção do pesquisador Euges Lima, que pontuou: “Aviso aos navegantes… Ao contrário do que algumas instituições e pessoas, equivocadamente vem divulgando, o 15 de abril não é a data do aniversário do Bicentenário da Imprensa no Maranhão, simplesmente porque foi em novembro de 1821 que chegou a primeira tipografia no Maranhão. Como a imprensa poderia surgir antes da instalação da primeira tipografia? Impossível”, disse o pesquisador.

Para Euges, a ideia de imprensa, surge com os jornais impressos. “E a publicação impressa do primeiro jornal no Maranhão ‘O Conciliador do Maranhão’, segundo Antônio Lopes, em ‘História da Imprensa no Maranhão (1959)’, ocorreu em 10 de novembro de 1821, portanto, essa é a data correta do bicentenário. Acredito que o equívoco de alguns, reside no fato que esse primeiro jornal publicado, impresso, trouxe os primeiros jornais manuscritos de ‘O Conciliador do Maranhão’, portanto, com a data do dia 15 de abril”, explicou. “O Conciliador do Maranhão” circulou entre 15 de abril de 1821 e 23 de julho de 1823. A pesquisa da jornalista Roseane Arcanjo apontou que a província estava entre as quatro primeiras a registrar a atividade da imprensa nas terras portuguesas do continente americano. “A capital São Luís capitaneou o surgimento da imprensa no território maranhense, pois a localidade concentrava as principais atividades econômicas da região. A província teve um relativo progresso econômico na gestão pombalina, no final do século XVIII e início do século XIX. Esse surto econômico, impulsionado principalmente pela política das companhias de comércio, fez São Luís agregar importância financeira e intenções políticas”.

Ainda de acordo com a pesquisa, a produção do referido jornal, com circulação duas vezes na semana, passou por duas fases: a manuscrita, do número 1 até o número 34 (de 15 de abril a 7 de novembro de 1821); e, posteriormente, a impressa, da edição 35 à edição 210 (de 10 de novembro de 1821 a 23 de julho de 1823). A fase impressa ocorreu por meio da Tipografia Nacional Maranhense.

Compartilhando histórias do jornalismo

O jornalista de O Imparcial, Raimundo Borges, está no jornalismo há 50 anos. Ele acredita ser o mais longevo profissional de tempo integral na imprensa maranhense por tanto tempo ininterrupto, atuando nas mídias impressas do estado e em âmbito nacional. Foi o primeiro comentarista de política da TV maranhense, no programa Maranhão Acontece da TV Guará, por seis anos e hoje faz o programa Band Entrevista, da TV Band-MA, além de desenvolver conteúdos para o site especializado em política, batizado com o próprio nome.

Com tanta experiência, pedi que Raimundo Borges falasse da imprensa de antes, que falasse da imprensa do Maranhão, de quando ele ingressou no jornalismo.

Quase um século depois do surgimento de O Conciliador, surgia, em 1926, O Imparcial, que faz parte dos Diários Associados, grupo fundado por Assis Chateaubriand, e matutino, em que o jornalista assina também a coluna Bastidores. “A imprensa de ontem no Maranhão não era diferente do restante do país, exceto na estrutura operacional. Como O Imparcial era feito ‘à mão’ do começo ao fim, os profissionais tinham mais suor para derramar pelo que faziam em nome da boa informação. Era tudo difícil sem as ferramentas de hoje em dia, com o advento do computador e da Internet na década de 90. Porém, era estimulante ser jornalista no período mais obscuro e violento da ditadura militar. Receber a figura do censor na redação, com suas malévolas notificações sobre o que não poderia sair era algo que provocava um misto de indignação misturado com a vontade de buscar novos meios de tornar sua produção ainda mais intrigante ou instigante para os indesejados censores da Polícia Federal no ambiente de trabalho. Tudo isso, logicamente, sem provocação escancarada, mas procurando ser criterioso no texto entregue ao critério do copydesk”, disse.

O jornalista encara os 50 anos de jornalismo como os anos em que aprendeu a ser feliz na profissão, na “Família Associada”, na família dele, e como cidadão consciente da importância do jornalismo em qualquer lugar do planeta. “Sempre escancarado às liberdades, à democracia e disposto a romper obstáculos, convivendo e se adaptando às novas tecnologias, como acontece nos dias presentes, diante da concorrência avassaladora das mídias eletrônicas. E sempre compartilhando dessa trajetória com o hoje diretor-presidente do jornal, Pedro Freire”.

Como O Imparcial era feito ‘à mão’ do começo ao fim, os profissionais tinham mais suor para derramar pelo que faziam em nome da boa informação.

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