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COMPORTAMENTO

A força das redes sociais contra o racismo

Manifestações virtuais acabam pressionando decisões sobre assuntos que normalmente não tomariam grande dimensão caso não fossem viralizados

Reprodução

O calendário brasileiro marcou esta semana o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, dia 3. No dia anterior, dia 2, se tornou público o caso de racismo praticado por um estudante de uma escola da capital, contra uma aluna enquanto acontecia uma aula online. A prática se tornou pública não só entre alunos, mas viralizou nas redes sociais. A escola teve que tomar um posicionamento. Resultado: o aluno foi expulso da escola com a assertiva do pai e dos avós. E a aluna? Bem, a aluna vai ter que conviver com esse episódio e torcer para esquecê-lo. Mas e se as ofensas não tivessem sido feitas em uma aula virtual?  O garoto teria dito na cara da aluna o que disse pela Internet, e será que teria ido a público?

Matéria publicada na edição do dia 3 de O Imparcial disse que inicialmente, a escola havia se pronunciado informando que seria aplicado uma suspensão de 3 dias ao aluno. A decisãogerou revolta nas redes sociais, onde diversos usuários pediam uma punição mais severa. No Twitter, o protesto se deu através da hashtag #3diasnao, que também foi utilizada por usuários no Instagram, gerando mais de 3 mil comentários na publicação divulgada pela escola, inclusive com prints que mostram outros posicionamentos, inclusive homofóbicos.

Na semana passada a TV UFMA promoveu em suas redes sociais a live “Racismo e pandemia”. A mediadora, Carolina Prazeres, comunicóloga e colaboradora da TV disse que a ideia de debater essa temática surgiu por causa das manifestações mundiais feitas pela morte do americano negro George Floyd, por um policial branco na cidade americana de Minnesota.  “No Brasil, as manifestações ocorrem principalmente nas redes sociais. O tratamento diferenciado entre negros e brancos seja pela polícia, seja pela população, é um tema que deve ser debatido sempre, até que não haja mais distinção devido à cor de pele”, comentou Carolina.

O tratamento diferenciado entre negros e brancos seja pela polícia, seja pela população, é um tema que deve ser debatido sempre, até que não haja mais distinção devido à cor de pele.

Para a psicóloga Celiane Chagas, o racismo, assim como outros tipos de discriminação, são violências físicas e psicológicas que produzem consequências negativas para ambos os envolvidos. “Principalmente para as vítimas, por isso, é importante orientar as crianças e os adolescentes, nas duas principais instituições sociais, a família e a escola, de que não vivemos uma cultura única, hétero e branca. De que vivemos em uma sociedade com estilos de vida, diversidade, religiões e comportamentos diferentes. Se você trabalhar isso com a sua criança e seu adolescente, com certeza ele será um adulto mais esclarecido e mais consciente sociedade em que ele vive”, orientou.

Trabalhar as relações de racismo não é apenas uma questão de interesse. É obrigação legal desde 2003, quando foi aprovada a lei 10.639, que determinou a inserção de conteúdos de história e cultura afro-brasileira e africana nos currículos escolares. E a boa notícia é que, ao adotar esse tema, combate-se o racismo não apenas fora, mas também dentro da escola. Afinal, crianças e jovens que aprendem a valorizar o diferente tendem a superar preconceitos.

Se você trabalhar isso com a sua criança e seu adolescente, com certeza ele será um adulto mais esclarecido e mais consciente sociedade em que ele vive.

Casos não denunciados  que não se tornam públicos

Casos como o citado no início da matéria, acontecem diariamente, mas poucos se tornam públicos, ou sequer entram para os dados oficiais das delegacias, ouvidorias ou outros canais de atendimento da rede de combate ao racismo. Segundo informações da Delegacia de Crimes Raciais, Delitos de Intolerância e Conflitos Agrários (DECRADI-DECA)  18 inquéritos de racismo foram concluídos e encaminhados à Justiça em 2019. Os agressores já estão respondendo a processo no âmbito da Justiça e existem outros 18 em investigação.

As denúncias de racismo são feitas pelas vítimas na Delegacia, que instaura o competente inquérito policial, colhendo o depoimento da vítima, apurando os fatos, ouvindo os acusados e testemunhas e por fim, encaminha o inquérito para a Justiça.

Para combater a discriminação racial, a Secretaria de Estado Extraordinária de Igualdade Racial (SEIR) disse que trabalha seu Programa de fortalecimento da identidade étnica, com palestras formativas. “A SEIR realiza palestras educativas em comunidade quilombolas sobre o enfrentamento ao racismo e em parceria com a Secretaria de Educação desenvolve ações e campanhas nas escolas. Além disso, através de nossa articulação, o Estado implantou no ensino médio o ensino da história e cultura afro brasileira e africana além de trabalhar o enfrentamento e combate ao racismo com capacitações continuadas de professores”, disse o Secretário Gerson Pinheiro de Souza.

Para denunciar qualquer ação de preconceito ou discriminação racial, procure a delegacia mais próxima. Os casos de racismo são resolvidos na Delegacia de Combate aos crime de Racismo, delitos de intolerância e conflitos agrários, localizada na Avenida Pedro II, alto do Bradesco, e na Ouvidoria dos Direitos Humanos, Igualdade Racial e Juventude, que pode ser acessada pelo WhatsApp (98) 99104-4558 ou e-mail: ouvidoria.sedihpop@gmail.com. Ou Disque 100, a ligação é gratuita e funciona 24 horas por dia e em todos os dias da semana.

03 de julho

Nessa data, em 1951, o Congresso Nacional aprovou a Lei 1.390, mais conhecida como Lei Afonso Arinos, proposta pelo jurista, político e escritor mineiro e que estabeleceu como contravenção penal qualquer prática resultante de preconceito por raça ou cor. Foi a primeira lei contra o racismo no País.

O Estado implantou no ensino médio o ensino da história e cultura afro brasileira e africana além de trabalhar o enfrentamento e combate ao racismo com capacitações continuadas de professores.

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