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EFEITOS DA PANDEMIA

Imperatriz perde mais de mil postos de trabalho na crise sanitária

Dados do CAGED contabilizam 627 admissões e 1.642 desligamentos, com saldo negativo de 1.015 postos perdidos em abril. Setor de serviços foi o que mais demitiu.

Diversos trabalhadores perderam seus empregos por conta da pandemia do novo coronavírus

As medidas de distanciamento social para conter o avanço do coronavírus impuseram uma série de restrições nas mais diversas atividades em Imperatriz, e a crise sanitária logo desencadeou, também, a crise econômica, com o fechamento do comércio e suspensão de serviços considerados não essenciais, por dois meses.

Há 19 anos no mercado com uma loja de bolsas, malas e acessórios, o empresário Marconi Marques, que ao longo de quase duas décadas vinha anualmente ampliando o quadro de funcionários, se viu sem alternativa durante a pandemia que pegou o mundo de surpresa, mesmo com as medidas do Governo Federal para preservar os empregos, como crédito para folha de pagamento que serviu de alento no fluxo de caixa para empresários.

“A crise nos atingiu diretamente, principalmente o nosso produto que é um produto de viagem. Como as pessoas não estão viajando e não tem uma previsão para viajar tão cedo, a nossa saída [da crise] deve ser mais lenta, mas nós vamos sair”, disse o lojista Marconi Marques esperançoso, porém consciente de que dias difíceis ainda estão por vir.

O estabelecimento do empresário fica localizado no Centro de Compras Calçadão, que é referência no comércio varejista para Imperatriz e muitas cidades vizinhas da região tocantina, num raio de até 300 quilômetros, além de ser um dos setores mais movimentados do comércio. Mas a loja ficou exatos 68 dias sem vender nada e sem poder abrir, por força de decreto do Executivo.

Para não fechar as portas de vez, a saída encontrada por Marconi foi demitir mais da metade dos 26 colaboradores da empresa no mês de abril, 14 foram dispensados. Número que engrossou as estatísticas de demissões no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, deixando em abril quase 3 vezes mais pessoas fora do mercado de trabalho em Imperatriz, do que no mês anterior. Os dados do CAGED contabilizam 627 admissões e 1.642 desligamentos, com um saldo negativo de 1.015 postos de trabalho perdidos.

“Nós tivemos no início do ano, em janeiro, 128 postos de trabalho reduzidos. Chegamos em fevereiro a 208 postos, em março 413, e em abril chegamos a 1.015 demissões. É importante ressaltar que o setor mais afetado foi o setor de serviços, e o Maranhão seguiu na mesma linha”, detalhou Paulo Vinícius, Gerente Regional do Trabalho, sobre o crescimento significativo do desemprego na cidade.

Em uma das clínicas de Medicina do Trabalho, que realiza exames admissionais para empresas, o mês de março se manteve equiparado quanto à contratação e dispensa de colaboradores, foram 267 exames de admissão e 278 para demissão. Já em abril, caiu quase pela metade o número de exames admissionais, 168, e foram realizados 352 exames para a demissão de funcionários.

“No mês de abril a gente teve um cenário preocupante, um crescimento de 108% de exames demissionais relacionado ao número de exames admissionais e isso se deu por conta da pandemia, a gente observa que as empresas não tiveram condições de manter o fluxo de caixa, seus custos, e infelizmente tiveram que fechar as portas e deixar várias pessoas desempregadas”, relatou o proprietário da clínica, Thyago Rodrigues

Em todo o país, segundo o CAGED, o número de desligamentos também bateu o recorde em abril com 860 mil postos reduzidos e o Maranhão acompanhou o crescimento do desemprego na pandemia. Foram 6.462 admissões e 12.102 desligamentos, com saldo negativo de 5.640, enquanto em março o Estado teve 985 postos extintos.

Melhorias só em agosto

Para os economistas, o cenário só deve se mostrar mais animador a partir do mês de agosto, mas Imperatriz tem um ponto positivo, que é a demanda da construção civil, ainda aquecida, e os serviços a ela agregados.

“Nós já sabemos e temos a identificação de quais são os principais setores afetados: o comércio varejista, uma parte do comércio atacadista e principalmente o setor de serviços. Mas a economia está dando sinais de dinamismo em muitos setores, com o delivery, e pelo menos em alguns ligados ao combate à pandemia, que estão empregando. Setores que dependem do fluxo de pessoas, esses vão sofrer com o desemprego ainda nos meses de junho e julho. Mas nós também já temos a informação que voltou na cidade o nível de contratação na construção civil, que é fundamental, porque quando este setor reage gera um efeito dominó em outros segmentos. Acredito que os números caminham para que no final de julho nós tenhamos um domínio melhor desse cenário e em agosto a economia comece a se reorganizar nos seus diversos setores de uma forma melhor”, avaliou o economista Eneas Rocha.

O secretário municipal de desenvolvimento econômico lembra que apesar da reabertura do comércio, as empresas da cidade ainda não estão autorizadas a funcionarem como antes, com o quadro de colaboradores completo.

“E 60% das atividades empresariais em Imperatriz são dos serviços não essenciais, eles estão autorizados a funcionar apenas com 30% da sua capacidade. A reação do mercado nesse momento é que a procura para a compra dos produtos ainda é muito pequena, pode ser que essas empresas tenham que reduzir ainda mais seus quadros para atender as exigências da restrição porque nós ainda estamos lutando contra a pandemia, tem as medidas de prevenção, podem ocorrer ainda baixas”, alertou Eduardo Soares.

Marconi Marques, empresário experiente que atravessou outras crises econômicas com sucesso, prefere apostar na pujança de imperatriz para enfrentar mais uma, com cautela: “somos uma cidade forte, que tem potencial para o comércio e eu tenho certeza que nós vamos vencer um dia de cada vez”, finalizou.

Serviços

Com a pandemia, a Gerência Regional do Trabalho suspendeu o atendimento presencial mas disponibilizou os serviços por vários canais de atendimento: www.mte.gov.br; através do Aplicativo CTPS Digital; Alô Trabalho 158; e questões relacionadas ao seguro desemprego também podem ser resolvidas pelo e-mail empregoimperatriz@mte.gov.br

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