Cidades · REFUGIADOS E IMIGRANTES

Em três meses, triplica o número de venezuelanos em São Luís

Número de refugiados e imigrantes no estado do Maranhão aumenta, principalmente na capital. Órgãos e instituições se unem para tentar resolver o problema

Em três meses, triplica o número de venezuelanos em São Luís

No mês de maio eles eram 55. Em julho, 69. Agora, os dados mais recentes mostram que pelo menos 155 refugiados venezuelanos se encontram no Maranhão. O fluxo é intenso e contínuo de pessoas espalhadas em retornos, canteiros, rotatórias, rodoviárias, famílias inteiras expostas fugindo de uma país que lhes negou direitos básicos, inclusive com crianças, e pedindo ajuda financeira. A situação deles, um caso humanitário, suscitou a decisão de órgãos e instituições de construir uma ação estratégica para resolver o problema.

Nos próximos dias terá início uma ação contínua envolvendo a Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE/MA), e da União (DPU), Tribunal de Justiça do Maranhão, Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, Conselhos Tutelares, Pastoral da Criança, Universidade Federal do Maranhão e Governo do Estado e o Município de São Luís para uma força-tarefa de abordagem e orientação nas principais avenidas da cidade, onde os venezuelanos se posicionam, e também em locais onde os mesmos estejam abrigados.

A ideia é que essas pessoas sejam orientadas sobre as leis brasileiras, mas fazer a abordagem com cautela, tendo em vista muitos oferecerem resistência por não confiar em órgãos da rede. 

De acordo com o defensor público estadual Davi Rafael Silva Veras, titular do Núcleo da Criança e do Adolescente, a proposta é unir esforços para garantir o cumprimento, principalmente, da legislação protetiva de crianças e adolescentes, tendo em vista que muitos refugiados podem ser vistos em rotatórias e sinais de trânsito da capital pedindo ajuda, acompanhados de infantes. “Muitos não tem documentação, ou não estão com documentação regular para fazer cadastro, e mesmo os que fizerem não quer dizer que receberão benefício. Então não sabemos quantos são, nem quantos recebem esse benefício. O fluxo é continuo de pessoas que chegam e saem o tempo todo. Muitos estão sendo assistidos, mas não dá para afirmar quantos recebem, até porque muitos tem essa resistência que a gente está querendo quebrar”, afirma o defensor.

Segundo a Defensoria, serão feitas várias visitas, não só aos locais onde eles ficam nas ruas, mas onde estão sendo abrigados também para conversar sobre as necessidades, saúde, educação, se preciso fazer encaminhamentos. É uma realidade muito complicada. Não temos uma resposta pronta porque a rede de proteção não tem estrutura para assistir nem aos brasileiros. Somos 3 milhões de desempregados e temos um fluxo gigantesco de pessoas chegando ao Brasil. É um grande desafio para toda a rede de proteção. Temos muita preocupação com qualquer iniciativa que se vá fazer”, assegura o defensor Davi Rafael.

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Patrícia Cunha
Patrícia Cunha