ECONOMIA

Especialista orienta como fazer o dinheiro “esticar” até o fim do mês

Como viver dignamente ganhando pouco? Como conseguir equilibrar contas, gastos e ainda ter um saldo para usar com o entretenimento?

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Só se fala nisso: “tempos difíceis”, “crise econômica”, “economizar”, “salário não dá para nada”… Como viver dignamente ganhando pouco? Como conseguir equilibrar contas, gastos e ainda ter um saldo para usar com o entretenimento? Já teve a situação de ficar em casa após vários convites dos amigos para aquele bar novo de drinks que está em alta na cidade? Ou aquela volta para casa amargurada pós-baladinha, por ter comprometido o mercado da semana.

Situações como essas acabam abalando emocionalmente as pessoas e, por vezes, as afastam do convívio social, ou as colocam em uma outra mais delicada financeiramente. Conversamos com o professor José Reis Rocha (foto), coordenador do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade Estácio São Luís para saber se existe uma receita e as dicas para ter uma vida financeira saudável.

Segundo o professor, a regra é: os gastos não podem ser maiores do que a receita. O ideal é planejar, com lápis e papel mesmo, todas as despesas fixas como prioritárias, a exemplo das contas de serviços como fornecimento de água, energia, mercearia, combustível ou transporte público, educação dos filhos (caso haja), plano de saúde, prestação do carro, do imóvel etc. “Depois, reserve uma porcentagem para um fundo de garantia próprio, que você pode optar por guardar em uma conta poupança, por exemplo. Essa reserva é fundamental para evitar que, nos momentos de aperto ou de emergência, você precise lançar mão de empréstimos, cheque especial ou cartão de crédito”, pondera.

Após calcular esses gastos, dá para saber quanto vai sobrar e dividir pelas despesas secundárias, as  não essenciais, como compra de roupas, sapatos, acessórios, decoração para casa etc. “Apesar de muita gente considerar supérfluos os passeios e as saídas com a família e/ou amigos, a recomendação é que o lazer não fique comprometido, pois ele é fundamental para garantia da qualidade de vida. Claro que, se a situação estiver delicada com o orçamento, você não vai ser irresponsável de ir almoçar ou jantar fora todo fim de semana. Mas sugerimos que, pelo menos uma vez a cada 15 dias, você faça um passeio para arejar a cabeça e proporcionar diversão (para si mesmo ou para quem depende de você). O risco de você ignorar completamente o seu lazer e o da sua família é: com o tempo, a falta de relacionamento e o estresse podem acabar com a paz da casa. O correto é encontrar equilíbrio”, diz o especialista.

O salário, em teoria, deve ser suficiente para que o trabalhador goze plenamente dos direitos assegurados na Constituição Federal a todos os cidadãos brasileiros, como moradia digna, educação, esporte e lazer, entre outros.

Questão de organização

Segundo o especialista, existem muitas formas de se divertir sem comprometer o orçamento principalmente em São Luís, que é uma cidade litorânea. É tudo uma questão de saber se organizar e ter uma vida social sem gastar tanto. “A cidade é cheia de praias. Só aí já dá para fazer alguns passeios interessantes. No fim de semana, encha a mochila de biscoitos e garrafinhas de água, faça piquenique em alguma praça com a sua família. Se a sua vontade é curtir uma balada noturna, a dica é não exagerar na quantidade de saídas. Estipule o limite de gastos com isso. E saia de casa SÓ com o dinheiro que você previu gastar. Assim, evita cair em tentação e consumir mais do que o planejado. Reúna amigos em casa, combine para cada um levar algo, celebrem a união e não gastem com luxos desnecessários”, aconselha José Reis Rocha.

Confira as dicas

Projetar os sonhos – Sonhos são desejos que nos movem e nos fazem agir. Se você tiver sonhos, ponha-os no papel e estipule em quanto tempo deseja realizá-lo. Avalie e estime quanto custaria essa realização, calcule quanto de dinheiro você seria capaz de reservar mensalmente para esse objetivo e chegue à data prevista para atingi-lo.

Contas em atraso – Se as contas já estiverem em atraso e você estiver com uma avalanche em mãos, o melhor caminho é a negociação com os credores. Junte tudo o que estiver em atraso, busque conciliações e negocie seu débito de modo sustentável, ou seja, de forma que você consiga honrá-lo, senão, o esforço será em vão.

Compras sem necessidade – Com as dívidas negociadas, cuidado para não cair em tentação e acabar comprando o que você não precisa. Pergunte-se sempre: Eu preciso? Isso fará falta agora? Se a resposta for não, você já sabe que se trata de um desejo que pode esperar para ser realizado.

Usar a criatividade – Para quem já está com todo o salário comprometido, a dica é ser criativo e observar o que pode render algum dinheiro extra, pelo menos, de forma temporária. Estão na moda, por exemplo, as realizações de brechós (roupas, acessórios, brinquedos, itens de decoração, utilidades domésticas). Você pode organizar, sozinho ou com ajuda de outras pessoas, uma “venda de garagem”. Isso é bastante comum. Observe o que você tem, mas não precisa mais e que pode lhe render alguma grana.

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