MULHERES

Evento especial celebra o Dia da mulher maranhense nesta segunda-feira

Data foi inspirada no aniversário da escritora Maria Firmina dos Reis e será celebrada nesta segunda-feira, 11, na Biblioteca Pública Benedito Leite.

Talvez poucos ou quase ninguém saiba, mas as maranhenses tem o dia delas. É o 11 de março, Dia da Mulher Maranhense, instituído pela  Lei n° 3.754, de 27 de maio de 1976, – sancionada pelo Governador do Estado do Maranhão Osvaldo da Costa Nunes Freire. O Projeto, de autoria do Deputado Estadual vimarense Celso Coutinho, data de 1975, ano de comemoração do sesquicentenário de nascimento de Maria Firmina dos Reis. Em 2017, a Lei 10.763/2017, sancionada pelo Governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino de Castro e Costa, alterou o artigo 1º da lei anterior que trata da data de nascimento da escritora, passando de 11 de outubro de 1825 para 11 de março de 1822, com base em pesquisa documental recente, a pedido da Academia Ludovicense de Letras – ALL.

Foto: Divulgação Imagem de Maria Firmina feita pelo artista plástico Luzinei Araújo

Este ano, pela primeira vez, o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão está fazendo um evento para comemorar as duas datas. O presidente do órgão, José Augusto Silva Oliveira, acredita ser uma ação pioneira celebrar o aniversário de nascimento de Maria Firmina dos Reis e o dia em homenagem à mulher maranhense, por força de lei estadual. O  evento será dia 11, às 17h, no auditório da Biblioteca Pública Benedito Leite, e terá como palestrante a professora doutora Dilercy Aragão Adler.

“Essa iniciativa está sendo um trabalho do Instituto não só pela importância da Maria Firmina para a intelectualidade maranhense, mas para homenagear a mulher maranhense. Acho que seria importante tomar conhecimento dessa data e que ela merece ser comemorada. Nós estamos protagonizando algo que estava esquecido”, diz o presidente.

Segundo ele, a iniciativa poderá ser incluída no calendário cultural do órgão. “É uníssono que ele possa se repetir nos próximos anos e que seja criada uma consciência cultural para a importância dessas datas”, completa.

Dilercy Aragão Adler, estudiosa, pesquisadora e apaixonada pela vida e obra de Maria Firmina dos Reis, vai proferir palestra sobre a escritora e a importância dela como contribuição para a vida literária do Maranhão e do Brasil. Para ela, trazer esse evento contribui para que as pessoas conheçam sobre o trabalho dessa maranhense, natural de São Luis, que foi a primeira escritora negra do Brasil.

Maria Firmina dos Reis é a patrona da Academia de Letras da cidade de São Luís. Sua biografia, publicada pela ALL, de Leopoldo Gil Dulcio Vaz e Dilercy Aragão Adler – Sobre Maria Firmina dos Reis – foi considerada melhor bibliografia publicada, em 2016, pela UBE-RJ.

“Durante todo este mês de março a gente estará levando e participando de eventos que mostrem Maria Firmina dos Reis. O Instituto está convidando as pessoas, e vai fazer o evento em um local emblemático, que é a Biblioteca Pública Benedito Leite, por várias razões. Foi lá que Nascimento de Moraes Filho descobriu vários escritos sobre ela e também, a Biblioteca fica no Complexo Deodoro, que é onde está o busto de Maria Firmina, o único de uma mulher. É difícil falar de Maria Firmina dos Reis, mas é ao mesmo tempo, instigante porque é preciso muito estudo, muita pesquisa para falar sobre ela. Agora tão importante quanto saber sobre ela, é divulgar sobre ela. Consolidar a ressignificação de Maria Firmina, feita por Nascimento de Moraes Filho”, exalta Dilercy.

Saiba Mais

Por Leopoldo Gil Dulcio Vaz (Academia Ludovicense de Letras/Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão)

– Maria Firmina dos Reis publicou anonimamente, “Úrsula” (1859), influenciando  toda a produção literária do País. Foi a primeira escritora negra do Brasil e primeira autora de romance abolicionista em toda a língua portuguesa;

– O escritor Nascimento Moraes, pesquisador que descobriu Maria Firmina na Biblioteca Benedito Leite, no início da década de 1970, afirmava que não foi encontrada nenhuma foto dela;

– O busto da escritora Maria Firmina dos Reis, de autoria do escultor maranhense Flory Gama, foi esculpido a partir das informações prestadas por vimarenses que conviveram com a mestra-régia, como dona Nhazinha Goulart, criada pela romancista;

– O busto foi colocado no ano de 1975 na Praça do Panteon, em frente à Biblioteca Pública Benedito Leite, na Capital junto a outros 17 intelectuais maranhenses. Posteriormente, os 18 bustos do Panteon Maranhense foram transferidos para os jardins do Museu Histórico e Artístico do Maranhão. Recentemente, os bustos voltaram à Praça do Panteon.

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