EVASÃO

6,2 mil abandonam o curso de Engenharia no Maranhão

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram uma realidade preocupante em relação à evasão no curso na UFMA

Reprodução

A evasão no curso de Engenharia aumentou de 5,1% para 10,6% no mesmo período em todo o país, apesar do ingresso em cursos superiores ter aumentado de 6,5% para 15,1% entre 2001 e 2016. Esses são os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), sistematizados pela Associação Nacional de Educação em Engenharia (Abenge).

No Maranhão, por exemplo, em 2017, mais de 5,5 mil alunos ingressaram em cursos de Engenharia. Em contrapartida, 6.264 desistiram da graduação, de acordo com o Censo da Educação Superior. Desse número, 4.208 se desvincularam da universidade, 1.937 trancaram e 119 trocaram de curso.

No ano passado, o estado ofereceu mais de 7,4 mil vagas distribuídas entre cursos ofertados por instituições públicas e privadas nas áreas de engenharia – civil, elétrica, mecânica, computação, química, engenharia de produção, materiais e automotiva.

Na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), de 2.880 alunos que ingressaram em algum dos cursos de Engenharia, nos últimos seis anos, 16,6% abandonaram a universidade. Segundo o coordenador do primeiro ciclo dos cursos de Engenharia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), José Renato de Oliveira, a instituição tem conseguido controlar a evasão com a adoção de novas diretrizes curriculares, que separam o curso em dois ciclos.

Disciplinas básicas

O primeiro é focado nas disciplinas básicas a todas as engenharias, para que os alunos, que geralmente chegam sem preparo algum, concentrem os esforços em física, química, cálculos em geral, e em algumas matérias específicas, uma espécie de apresentação de cada curso. Somente no segundo ciclo é que o aluno escolhe em qual engenharia ingressar.

“É histórico nos cursos de ciências exatas que haja uma evasão muito grande, sobretudo pela grande deficiência do ingressante nas disciplinas voltadas para cálculos. Muitos dos nossos alunos têm vontade, têm o desejo, mas não são capacitados suficientemente para acompanhar o nível do ensino superior, mesmo nos primeiros anos da universidade”, explica o coordenador.

Além das mudanças curriculares, a universidade instituiu, em dezembro de 2017, a Comissão de Estudos de Evasão para traçar o perfil dos estudantes que deixam a universidade e para definir propostas para contornar o problema. “É preciso produzir um ensino interessante para o aluno. Não basta ensinar os cálculos sem dar aplicações e sem ligar aquilo à vida, ao cotidiano dele. A oportunidade de ter prática, de ter experimento, é imprescindível”, destaca o coordenador.

Propostas para mudança no currículo

Em junho de 2018, a Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) encaminhou, aos candidatos à presidência da República, propostas para a atualização do currículo dos cursos de Engenharia identificados a partir de um trabalho conjunto entre a CNI, líderes empresariais e reitores de importantes  universidades, no âmbito da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI).

Para a diretora de Inovação da CNI e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Gianna Sagazio, o alto índice de desistência mostra a fragilidade e a necessidade da modernização do ensino de engenharia, que, segundo ela, ainda segue o modelo idealizado há mais de 30 anos.

“O mundo está mudando muito rapidamente, e a gente precisa preparar os nossos profissionais, os nossos engenheiros, para enfrentar esses desafios que já estão  colocados aqui. Se a gente não tiver engenheiros preparados para os impactos dessa revolução digital, a gente não vai conseguir ser um país competitivo e nem gerar qualidade de vida para a nossa população”, ressalta.

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