VOLTA ÀS AULAS

Pais buscam novas alternativas de transporte escolar

Com intensificação da crise, pais procuram opções mais baratas para locomoção dos filhos à escola. Serviços tradicionais de transporte podem chegar a valer R$ 450,00

O período de aulas começou. Além de preocupações com relação à escolha da escola, material escolar, valor de matrícula e outras taxas importantes, os pais também se deparam com outra necessidade: como meu filho vai chegar à escola?

A dúvida pode não preocupar as famílias que moram perto das escolas das crianças. Mas, em muitos casos, pensando em uma melhor educação, as escolas escolhidas ficam longe da residência, o que leva muitos pais a contratarem um serviço de transporte escolar.

No entanto, o tradicional serviço de transporte escolar tem sido deixado de lado, principalmente por conta do aumento das taxas. Os pais têm optado por alternativas para locomoção dos filhos. É o caso da assistente administrativa Lúcia Seguins, que mora a 7 km da escola dos filhos.

Foto: Honório Moreira / O Imparcial

“Eu tenho dois. Os dois estudam na mesma escola, mas é distante de onde moramos. Eu, por muitos anos, contratava o serviço de transporte escolar, aquele que todo mundo conhece, com a listra amarela, onde tem escrito ‘Escolar’, mas de uns meses para cá, a mensalidade tá cada vez mais alta. Eu cheguei a gastar quase R$ 600 só com transporte. Precisei encontrar outras alternativas”, relata.

Lúcia procurou outros pais, cujos filhos estudassem em uma escola próxima à dos filhos dela. A ideia era conseguir um motorista da empresa Uber, de confiança, que aceitasse levar e trazer os filhos no horário marcado. Suas despesas com transporte diminuíram quase 50%, segundo ela.

“Consegui outros pais que tinham filhos na mesma escola ou em uma escola bem próxima. Daí contratamos um motorista de Uber para levar e trazer no horário de entrada e saída dos meninos. Eu não gasto mais de R$ 300 com meus dois filhos. Diminuiu consideravelmente”, observa.

Avós são opção

Enquanto nossa equipe estava acompanhando a saída em uma escola no bairro Renascença, em São Luís, havia uma grande quantidade de veículos estacionada na porta, esperando pela liberação dos alunos. Vários dos condutores aparentavam ter mais de 60 anos. Questionada pela reportagem sobre quem ela estava esperando, uma senhora que se identificou como Madalena Lima confirmou que ela era avó de um dos alunos e que estava esperando o horário da saída para levá-lo para casa.

“A dificuldade da minha filha é o tempo que falta. Ela sempre contratava os serviços de transporte escolar, mas estava ficando cada vez mais caro. Eu me aposentei, tinha um carro e, então, juntamos tudo. Eles põem a gasolina e eu venho sempre buscar e trazer. Bem menos gastos e mais segurança”, comenta.

“Não abro mão”

Mesmo com tantas outras opções, têm muitos pais que preferem manter os serviços tradicionais de transporte escolar, alegando que é mais confiável e seguro. É o caso do dentista Ramsés Azevêdo.

“Há anos que meu filho vai de transporte escolar. Já são sete anos. Eu conheço todo mundo da empresa transportadora, conheço o motorista, conheço todo mundo. Eu prefiro pagar esse valor, mas ter certeza de que qualquer problema ou perda será sanado”, declara.

Foto: Honório Moreira / O Imparcial

Crise no transporte escolar

O Imparcial entrou também em contato com o ex-presidente do Sindicato de Transporte Escolar do Maranhão, Ubaldo Silva. Por telefone, ele colocou nas práticas clandestinas a maior motivação para o transporte escolar tradicional estar defasado.

“Eu deixei de trabalhar nessa área de transporte escolar justamente por isso. Nós precisamos atender a diversos critérios, requisitos e regras. Precisamos nos alinhar e gastamos muito com isso. Só que o que acontece é que os pais têm preferido contratar serviços que não estão na legalidade, por serem mais baratos”.

Ubaldo segue avaliando que, se houvesse fiscalização eficiente por parte dos órgãos competentes, as práticas clandestinas seriam inibidas garantindo igualdade no mercado. “O problema é que a fiscalização é fraca. Se fosse mais intensa, os transportadores legais, com certeza, teriam mais adesão”, afiança.

Posicionamento

A Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), está realizando a renovação cadastral dos condutores e veículos que atuam no Serviço de Transporte Escolar em São Luís. O recadastramento está sendo feito na sede da secretaria – Avenida Daniel de La Touche, 400 – Ipase. Os condutores deverão se apresentar até o dia 19 de fevereiro de 2018. Após esta data, a secretaria dará início à fiscalização dos veículos de transporte escolar.

Nossa equipe também entrou em contato com a SMTT para saber sobre regras e fiscalização do transporte escolar. Em nota, a secretaria informou o seguinte:

Ao todo, são 65 veículos cadastrados na SMTT. Existe uma série de documentos e requisitos para o proprietário, condutor, monitores e veículos, exigidos pela Portaria Nº 037 de abril de 2008, para o cadastro no Serviço de Transporte Escolar. Quem violar a legislação sofrerá punições como apreensão do veículo e no caso de irregularidades estará sujeito a penalidades previstas no Artigo 119 B, da Lei 3.430/96 (código tributário do município). A fiscalização é realizada por meio de blitz e abordagens nas regiões próximas às escolas e nas avenidas e vias da cidade.

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