PERÍODO CHUVOSO

Chuvas causam transtornos em São José de Ribamar

Com chuvas, ruas da periferia da Região Metropolitana se tornam verdadeiras armadilhas

Foto: Honório Moreira

Não está fácil para quem tem carro e precisa pegar alguns “atalhos” por dentro de determinados bairros para tentar escapar do engarrafamento. A cada manhã, quando o céu começa a nublar, muitos já pensam nas dificuldades que irão enfrentar pelo caminho com a situação precária de algumas ruas, que vão desde os alagamentos até crateras que por pouco não engolem veículos inteiros.

E essa situação vivida por grande parte da população da região metropolitana de São Luís não se restringe a motoristas. Pedestres, motociclistas e inclusive os moradores de áreas nas quais já não se consegue ver onde começam e terminam as ruas já não sabem o que fazer para que o poder público destine a devida atenção aos problemas por eles enfrentados.

Cansados de esperar

Da Rua L à Rua H, da Rua da Vitória à Avenida da Vitória. No Jardim Turu, os moradores do bairro com doze ruas, todas com saída para a Avenida Nossa Senhora da Vitória, reclamam da falta de infraestrutura e abandono que o poder público tem cometido em relação ao estado em que se encontram as vias.

Segundo eles, muitos já se cansaram de esperar por obras nos locais, alguns resolveram deixar suas casas e outros se viram como podem, colocando sacos de areia, concretando e entulhando as portas de casa para tentarem ao menos entrar e sair.

Para o empresário Welisson Santos, que diariamente precisa se locomover de moto, as ruas são verdadeiras armadilhas em que ele já foi pego algumas vezes. “Eu já caí de moto aqui em um buraco. Não me machuquei, mas tive prejuízos. Para quem anda de carro, o prejuízo é ainda maior, pois existem crateras que não dá para desviar”.

Segundo o morador, na parte em que existe asfalto, não acontece a drenagem e, durante as chuvas, tudo fica totalmente alagado. Na parte mais alta, os problemas são os buracos que se formam por conta de as ruas não serem asfaltadas, o que, para os moradores, é um verdadeiro rali até chegar em casa. “Quando chove forte como ultimamente, é impossível passar. A água vem descendo pelas ruas e se acumula toda na parte de baixo. Você nem consegue enxergar os buracos”.

Welisson lamenta o que ele chama de conversa fiada sobre resoluções dos problemas da comunidade. “Já até vieram umas vezes aqui, mas fica só nisso. Dizem que vão arrumar, que vão resolver e nada. Todo mundo aqui já está cansado de esperar uma data de início. O que se quer é que realmente comecem a fazer algo”.

Nem manifestando

Foto: Honório Moreira

Na segunda-feira, 19, vários moradores da região no entorno da Avenida General Arthur Carvalho, nas proximidades do bairro Boa Vista-Turu, fizeram uma manifestação reclamando da situação da via, que tem em toda sua extensão vários buracos e pontos de alagamento.

O trecho dá acesso a vários bairros da capital, mas, segundo o autônomo Marcos Andrade, durante os temporais, apenas quem possui caminhonetes se arrisca a passar pelo local. “Aqui tem que comprar peça de carro todo o tempo. Quando chove, você não consegue ver os buracos por causa da água que cobre e, quando vê, já está dentro de um buraco imenso. A situação aqui é crítica. Daqui a pouco, até a população não vai mais poder sair de casa. Todos vão ficar ilhados, porque na rua não vai passar ninguém”.

Segundo a comerciante Ana Maria, que mora entre a General Arthur Carvalho e a Avenida Florença, as manifestações já foram muitas, mas os resultados, até agora, nenhum. “Aqui já fizeram não sei quantas manifestações e nada. A única melhoria que já fizeram aqui foi colocar um ‘chiclete’ de asfalto, que não adianta porque fica tudo empoçado quando chove. Eles não fazem uma galeria aqui. Aqui, quando passa o ônibus, vai jogando água e lama nas paredes das casa, tem até uma senhora que está tendo prejuízos com quartos de aluguel, porque ninguém quer alugar onde passa carro e joga lama dentro de casa”.

Ana Maria já presenciou diversos acidentes, especialmente com motociclistas e ciclistas que caem em buracos. Para ela, que tem duas crianças pequenas, a preocupação é constante e a atenção, redobrada. “Eu já vi um casal que caiu a pouco tempo em um buraco quando estava de bicicleta. A senhora ficou toda machucada. Você olha o buraco e não vê a profundidade até cair nele. Eu tenho dois filhos e muito medo que eles possam se machucar na rua da própria casa”.

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Contando os prejuízos

Já mais à frente no Paranã, em Paço do Lumiar, difícil é encontrar um local nas Avenidas Contorno Sul e Contorno Leste em que não existam crateras. As vias são bastante usadas pela população, além dos muitos táxis-lotação que circulam diariamente por ali. Para os motoristas, os prejuízos com peças de carro estão fazendo repensar o meio de transporte que devem utilizar.

“Aqui não tem um lugar onde não tenha buraco, você não consegue andar sem estar batendo o carro todo tempo”, afirma Antônio Oliveira, que contabiliza os gastos que já teve por prejuízos em seu carro. “Eu já tive pneu cortado, já tive que trocar amortecedor, e mais de uma vez. Peças eu já perdi a conta, praticamente de dois em dois meses tenho que fazer uma revisão. O carro vive todo tempo desalinhado. Não tem condições uma situação dessa, você paga mil impostos para andar desse jeito. É preferível andar a cavalo assim”, desabafa Antônio.

Resposta

Por meio de parceria com a Prefeitura de São José Ribamar, o Governo do Estado está executando serviços de drenagem e pavimentação nas ruas do Jardim Turu. Da mesma forma, na General Arthur Carvalho, por meio de parceria entre as prefeituras de Paço do Lumiar, São Luís e São José de Ribamar, já há um compromisso do Governo do Estado de recuperar a avenida que atende aos três municípios.

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