ECONOMIA

Vendas de gás de cozinha caem mais de 30%

Desde que a Petrobras adotou nova política de preços, o produto de uso residencial subiu 67,8% nas refinarias. Estatal admite rever estratégia

Foto: Reprodução

Insumo essencial tanto na cozinha dos brasileiros quanto em empreendimentos comerciais e industriais, o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) está causando pesadelos aos consumidores, distribuidores e empresários. Desde que a Petrobras adotou a nova política de reajustes dos combustíveis, os preços do gás de cozinha — dos botijões de 13 quilos — e do GLP a granel, destinado ao segmento empresarial, dispararam. No caso do gás residencial, o valor subiu 67,8% nas refinarias. O salto foi tal que a própria Petrobras admitiu que estuda uma nova estratégia para reajustar o produto. Enquanto a estatal não divulga a nova fórmula, os distribuidores amargam queda de até 30% nas vendas do produto.

Pelos dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do botijão atingiu R$ 66 em dezembro, uma alta de mais de 16% ante o mesmo mês do ano anterior — a maior elevação numa comparação mensal desde 2002, quando superou a casa dos 30%. No Distrito Federal, no entanto, o valor do produto está prestes a romper a casa dos três dígitos. Em boa parte dos estabelecimentos, como na Disk Gás Asa Norte, já é oferecido a R$ 95.

Na última semana de 2017, o movimento, que normalmente é alto por conta das festas e das comidas de fim de ano, estava muito aquém de anos anteriores, conforme um entregador da empresa Dois Irmãos. A companhia, que oferecia o botijão a R$ 90, fez um desconto para conseguir vender, porque as vendas estão caindo.

Na Kero Gás Asa Norte, o preço também é R$ 95. “As nossas vendas caíram mais de 30% por conta da alta do preço. A gente tenta dar desconto, mas a margem está caindo. A Petrobras aumentou muito, depois a engarrafadora também subiu”, lamentou Ricardo Gomes, atendente da empresa. João Souza, da J.R. Gás, confirma estimativa de queda. “O consumidor chora muito. A margem está cada vez mais apertada, mas conseguimos fazer por R$ 90”, ressaltou.

A Supergasbras, distribuidora de Vicente Pires que vende no atacado, também registra 30% de queda nas vendas. Conforme o vendedor Leandro Souza, a empresa revende 10 botijões, no mínimo, para outros depósitos por R$ 70. “Mesmo assim, os compradores pechincham muito, porque têm de oferecer descontos para os seus clientes. Conseguimos reduzir para R$ 65, mas com lucro cada vez menor”, contou.

Os comerciantes também sentem na pele a disparada do custo operacional com as constantes altas do GLP a granel. Cálculos do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), feitos em dezembro do ano passado, apontaram que o preço do produto nas refinarias chegou a ter um ágio de 41% em relação ao praticado no mercado internacional no período.

A Petrobras negou tal ágio. “Por se tratar de informação estratégica, a Petrobras não comenta a relação entre os seus preços e os do mercado internacional, entretanto o valor atual encontra-se bem abaixo do mencionado”, disse, em nota.

A companhia destacou que essa política não se aplica ao GLP residencial. O Grupo Executivo de Mercado de Preços (Gemp) reuniu-se para avaliar os resultados da metodologia aplicada desde junho. “A conclusão é a de que necessita ser revista”, afirmou, sem explicar, no entanto, quando anunciará a nova fórmula.

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