MAIS RIGOR

50% dos candidatos são reprovados no teste de CNH

Ao longo dos anos, o processo foi se reestruturando para buscar aprimoramento dos futuros condutores

Foto: Luís Furtado

Aprender a dirigir pode ser a coisa mais fácil do mundo, mas tirar a carteira de habilitação nem tanto. Ao longo dos anos, o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) foi se reestruturando para buscar aprimoramento na escolha do futuro condutor de veículos. E isso vem acontecendo por meio de regras mais rigorosas e equipamentos modernos de avaliação dos aspirantes a motoristas habilitados.

Para se ter uma ideia, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão (Detran-MA), dos 10.270 inscritos, cerca de 5.220 candidatos são reprovados no exame para obtenção da CNH, enquanto 5.050 são aprovados. Já a categoria B, segundo o órgão, tem o maior índice de reprovações.

O estudante Ricardo Santos conta o trabalho que teve para conseguir passar por todas as etapas do processo de 1ª CNH. “Você até aprende nas aulas teóricas, e acaba achando que o processo vai ser rápido e tranquilo. Mas é só ilusão, pois passar na prova prática é muito difícil, principalmente para quem ainda não tem habilidade com o veículo. Se exige mais rigor aos alunos”, declara.

Mudanças no processo

Em 2018, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) sugeriu uma série de mudanças para formação de condutores. Com as mudanças, os interessados em tirar a CNH passam mais tempo na prática, tendo maior contato com o trânsito da cidade. O objetivo das mudanças é melhorar os índices de aprovação e qualidade na educação dos futuros condutores.

Entre os destaques que entraram em vigor, está o aumento da carga horária nas aulas para carro, indo de 70 para 90 horas. Além disso, o registro será por biometria e videomonitoramento da participação dos alunos nas aulas práticas e teóricas. Além disso, a proposta para alterações da Resolução 168/2004, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), obriga o candidato a fazer um simulado antes de realizar a avaliação teórica e, caso seja reprovado, terá que fazer cinco aulas antes de uma nova prova.

Somado às novas mudanças está o uso do Simulador de Direção Veicular, que desde a implantação possibilita aos alunos terem uma experiência semelhante à direção de um veículo antes de efetivamente irem para as ruas. No Maranhão, o Detran diz que já vem trabalhando para atender todas as resoluções em concordância com as determinações nacionais. O órgão informa que algumas dessas mudanças já vêm sendo implantadas desde o ano passado, como a exigência do uso do Simulador de Direção Veicular.

Outra resolução já em prática é a presença de mais de um avaliador durante os exames práticos. Assim, há mais garantias de avaliações corretas da perícia apresentada por candidatos durante a prova. O Detran-MA destaca que a mudança no processo de 1ª habilitação que ainda não vem sendo aplicada no estado é o serviço de monitoramento nas aulas práticas, a Telemetria, mas que está trabalhando para atender todas as normas determinadas pelo Contran, no prazo estabelecido.

Outra novidade muito esperada pelos motoristas, especialmente os que costumam ser esquecidos, é a Carteira Nacional de Habilitação Digital, que deve ser implantada no Maranhão a partir de hoje. A versão digital trará vantagens a quem esquecer o documento físico em casa, já que ela pode ser armazenada no celular, o que vai reduzir multas e pontos na carteira.

Cobrança das autoescolas

Com as mudanças, as autoescolas devem ter mais rigor na cobrança de presença dos alunos durante as aulas. Para o presidente do Sindicato dos Proprietários dos Centros de Formação de Condutores do Estado do Maranhão (Sindauma), Ramir Aguiar Ribeiro, isso pode fazer com que o mercado permaneça apenas com as empresas sérias.

“Os donos de autoescolas que trabalham com seriedade estão achando as mudanças boas, porque aí ficaram só as empresas sérias. O controle sobre os alunos será maior e não vai mais ter aquela questão de apenas colocar a digital e não participar das aulas. Essas mudanças são essenciais para a transparência na qualidade do serviço oferecido”.

Segundo Ramir, a maioria dos CFCs já está se adequando às novas normas e instalando os equipamentos de videomonitoramento para aulas teóricas e práticas. “As autoescolas estão se preparando, instalando as câmeras para monitoramento das aulas práticas nos carros e também já adequaram as salas de aula para as novas regras. A adequação acontece de acordo com as resoluções do Denatran”.

Mais gastos para os alunos

Para a instrutora Marlene Maciel, que há 8 anos trabalha na formação de novos motoristas, o rigor no processo é bom tanto para alunos, quanto para autoescolas, porém, ela acredita que a preparação dos motoristas ainda está aquém do que a realidade das ruas exige. “A quantidade de aulas práticas, mesmo aumentando, ainda são poucas. A maioria dos alunos não se sente seguro ao final da carga horária. O simulador também não acrescenta muita coisa, a realidade é bem diferente. Hoje em dia acontece mais reprovações, e os alunos não se preparam bem. Acho que o simulador trouxe apenas mais gasto para os alunos”.

Gastos que são pesados para Irlanda Hildney, de 25 anos, que tenta pela primeira vez obter a CNH. “Eu já gastei em torno de R$ 1.200 só na autoescola. Ainda tive que pagar o simulador por fora, que não me ajudou em praticamente nada. Mesmo assim, ainda paguei mais seis aulas práticas extras, porque não sinto segurança para fazer a prova. O que sinto é que você gasta tanto e não sai da autoescola confiante para o trânsito”. Segundo Ramir Ribeiro, o aumento gradativo dos valores de 1ª habilitação são normais, implicados aos investimentos que são feitos pelas autoescolas. Ele salienta ainda que aumentos por conta das novas mudanças ainda não devem acontecer. “Toda mudança no processo exige custos e quem acaba pagando a conta é o consumidor final. Mas aumentos nos valores no estado devem acontecer só depois de março”.

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