Brasil · resultado das fiscalizações

Oito novos empregadores do Maranhão entram na “lista suja” do trabalho escravo

Com atualização feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego, estado passa a ter mais de 40 nomes incluídos no cadastro; Brasil registrou aumento de 20% nas novas inserções

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Oito novos empregadores maranhenses foram incluídos na “lista suja” do trabalho escravo, divulgada nesta quarta-feira (8) pelo Governo Federal. A atualização semestral é feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e reúne empresas e pessoas físicas responsabilizadas por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.

A “lista suja” é um documento público divulgado em abril e outubro, que reforça a transparência das ações de combate ao trabalho escravo no país e apresenta o resultado das fiscalizações conduzidas pelo governo federal.

Nesta edição, os casos registrados ocorreram entre 2020 e 2025. Em todo o Brasil, 159 novos empregadores foram adicionados ao cadastro, um aumento de 20% em relação à última atualização.

O Maranhão ocupa a sexta posição entre os estados com mais novas inclusões, atrás apenas de Minas Gerais (33), São Paulo (19), Mato Grosso do Sul (13), Bahia (12) e Rio de Janeiro (8). Com as novas inserções, o estado passa a ter mais de 40 empregadores e empresas na lista. Os casos mais recorrentes envolvem atividades nos setores de agricultura, carvoarias, pedreiras, alimentação e construção civil.

Segundo o MTE, os nomes são adicionados à lista apenas após o encerramento de todo o processo administrativo, quando há decisão definitiva, sem possibilidade de recurso. Cada nome permanece no cadastro por dois anos.

Uma portaria publicada em julho de 2024, no entanto, criou regras que permitem a retirada antecipada ou até mesmo a não inclusão do empregador no documento. Isso ocorre quando o responsável assina um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), comprometendo-se a pagar indenizações de, no mínimo, 20 salários mínimos às vítimas e a investir em programas de reintegração e apoio aos trabalhadores resgatados.

Nesses casos, o nome passa a integrar o Cadastro de Empregadores em Ajustamento de Conduta, monitorado separadamente. Caso o acordo seja descumprido ou haja reincidência, o empregador volta a figurar na “lista suja”.

CONFIRA A LISTA DE EMPREGADORES DO MARANHÃO:

Amaterra Indústria Ltda – Fazenda Brejo do Meio, Zona Rural, São Raimundo das Mangabeiras

Fazenda Ferreira e Godoy – Zona Rural, São Félix de Balsas

Antônio Luiz de Lima Andrade – Fazenda Sol Nascente, Zona Rural, Codó

Antônio Marcone Queiroz Coutinho – Zona Rural, São Francisco do Maranhão

Bruno Rogério Portela Figueiredo LTDA – Zona Rural, São Francisco do Maranhão

Cleomilson Carneiro de Miranda – Unidade de Produção de Carvão Vegetal (UPC), Fazenda Teles, Loreto

Dimar Luiz da Silva – Fazenda Maravilha, Zona Rural, Ribamar Fiquene

D T Monteles Ltda – Fazenda Santa Izabel, Zona Rural, São João do Sóter

Edimar do Monte Arrais – Povoado Buritirana, Loreto

Eduardo Amâncio Alves – Fazenda Pé de Serra, Fortaleza dos Nogueiras

Floresta Verde Indústria e Empreendimentos LTDA – Fazenda Cajueiro, Sítio Novo

Francisco Jackson dos Santos Neto – Pedreira, Zona Rural, Pastos Bons

Hélio Batista dos Santos – Fazenda Dois Irmãos, Açailândia

Império Verde Indústria e Empreendimentos LTDA – Fazenda Bacuri Chora I, Grajaú

J A C Brandão LTDA – Unidade de Produção de Carvão, Mirador

J C Construções e Imobiliária LTDA – Carvoaria Mata Escura e Fazenda Baixão, Buriti Bravo e Estreit

Jean Kássio Alves Souza – Fazenda Minas Gerais, Açailândia

Jesus Rodrigues Neto – Fazenda Canaã, Imperatriz

Juscelino de Sousa Resende – Fazenda São Luís, Açailândia

Marco Aurélio Canova – Fazenda Vontobel, Aldeias Altas

Maria Juracy Alves de Araújo – Fazenda Poço Dantas/Renovar, Lago da Pedra

Marvil Indústria e Comércio LTDA – Fazenda Cajueiro, Sítio Novo

Mata Fria Indústria e Comércio LTDA – Diversas propriedades em Grajaú, São Raimundo das

Mangabeiras, São Félix de Balsas e Porto Franco

Miguel Pereira de Freitas – Pedreira Maria Pereira e obra em Parnarama

Mirador Indústria e Comércio de Carvão LTDA – Povoado Liso, Mirador

Natal Alves Barroso – Pedreira, Riachão

Ozias dos Santos Ribeiro – Fazenda Alegria, Sítio Novo

Reginaldo Alves Silva – Fazenda Espírito Santo, Alto Parnaíba

Richel de Oliveira Brito – Fazenda Morro Redondo, Nova Colinas

Sebastiana da Silva Mergulhão – Granja Mergulhão, Balsas

Sirlei Martins Amaral – Zona Rural, São Félix de Balsas

Thales Mota Araruna – Fazenda Campestre, Timbiras

Valdenor Borges de Andrade – Assentamento São João, Timon

Verinaldo Oliveira Milhomem – Fazenda Pasto Verde, Amarante do Maranhão

Wangre Brito de Jesus – BR-010, Zona Rural, Açailândia

As denúncias podem ser feitas de forma anônima e online, por meio do Sistema Ipê, plataforma criada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Basta acessar o sistema e fornecer o máximo possível de informações sobre a situação. A partir dos dados recebidos, fiscais do trabalho avaliam se o caso configura trabalho análogo à escravidão e realizam as diligências necessárias no local.

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