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Redescobrindo o Delta do Parnaíba: passeio no Maranhão combina história e lado mais isolado do arquipélago

Com a maior parte da área do delta em território maranhense, roteiro com saída de Tutóia (MA) acessa ilhas menos visitadas e revela navios naufragados durante a Segunda Guerra Mundial.

Revoada dos guarás é um dos momentos mais aguardados do entardecer no Delta do Parnaíba (Foto: Doriva Olliver)
Revoada dos guarás é um dos momentos mais aguardados do entardecer no Delta do Parnaíba (Foto: Doriva Olliver)

O Maranhão, estado que detém cerca de 70% da área do Delta do Rio Parnaíba, propõe conhecer esse famoso destino turístico por uma nova perspectiva. Além de passar por mais ilhas em relação aos passeios mais tradicionais, que saem do Piauí, o roteiro de barco feito a partir de Tutóia (MA) possibilita conhecer áreas com menor fluxo de turistas e, portanto, mais exclusivas, conta Doriva Olliver, responsável pela agência Olliver Tur. Além disso, atrativos peculiares, como um cemitério de navios da época da Segunda Guerra Mundial, tornam a experiência única.

A navegação é feita em embarcações menores por braços de mar e igarapés — canais estreitos onde a vegetação de mangue é mais densa e preservada. O roteiro conta com paradas para banho em locais como o Pontal do Cajueiro, a baía da Melancieira e a ponta da Ilha do Caju, uma das maiores e mais importantes ilhas do arquipélago, que abriga diferentes ecossistemas, como mangue, duna e mata. “O passeio do delta encerra com o pôr do sol dentro da lancha e os guarás chegando no seu dormitório, onde é a revoada”, completa Olliver.

No lado maranhense do delta, trajeto pelos igarapés é feito em embarcações menores em meio à vegetação densa e preservada. (Samuel Teixs)

Outro grande diferencial é o mergulho na história. O roteiro pelo lado maranhense permite visualizar a olho nu e bem próximo os destroços de três embarcações: o navio Aline Ramos, que encalhou na região na década de 80, e outros dois naufragados durante a Segunda Guerra Mundial. Esses avistamentos são contextualizados pelo guia, que aborda também as lendas locais que permeiam o imaginário dos moradores.

Olliver tem observado um aumento progressivo na procura pelo passeio na cidade nos últimos anos. Atualmente, a atividade operada pela agência tem duração de quatro horas, mas a perspectiva é que esse tempo seja estendido em breve, incluindo pausa para almoço em restaurante situado em uma das ilhas, proporcionando uma vivência ainda mais imersiva por esse fenômeno geográfico natural. 

Consolidação do polo turístico

O amadurecimento de Tutóia como porta de entrada para o Delta do Parnaíba passa por investimentos na hotelaria local, visando atender um perfil de viajante que deseja aliar o conforto à rusticidade do lado mais selvagem e isolado do arquipélago. Nesse sentido, a cidade tem se profissionalizado para atrair ainda mais visitantes para a região sem sacrificar a qualidade da experiência.

Referência em Tutóia, Oiti Beach Resort desenhou sua estrutura e serviços de modo a atender quem busca excelência em hospitalidade. (Samuel Teixs)

Para Daniel Castelo Branco, sócio do Oiti Beach Resort, o fortalecimento dos roteiros náuticos impacta diretamente na ocupação hoteleira da cidade e na imagem do Maranhão como um estado que reúne destinos de natureza que vão além do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. 

“Em geral, quem visita o delta por Tutóia valoriza a exclusividade e uma experiência mais contemplativa. Nosso papel é oferecer uma hospitalidade que esteja à altura desse perfil de turista. Quando o setor hoteleiro e as agências caminham juntos para oferecer uma logística eficiente e de alto padrão, conseguimos posicionar Tutóia como um destino central para quem busca o que há de mais autêntico e preservado na Rota das Emoções”, reflete o empresário.