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ÁLCOOL NA PANDEMIA

Efeitos da pandemia: 42% das pessoas relataram alto consumo de álcool

Pesquisa revela aumento de consumo nocivo de álcool durante quarentena no Brasil e psicólogo alerta para perigo do abuso de bebidas alcoólicas

Reprodução

Nesta semana que passou, no dia 18 de fevereiro, a última quinta-feira, foi comemorado o dia Nacional de Combate ao Alcoolismo. Em 2020 foi um ano que ficou marcado pela pandemia causada pela Covid-19, e também foi um ano que revelou um aumento no consumo de bebida alcoólica no Brasil e no mundo.

Essa conta não é minha

Um ato que parece inofensivo para uns, para outros pode ser muito perigoso.  De acordo com pesquisa feita pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o abuso de álcool subiu na América Latina durante a pandemia e, no Brasil, 42% dos entrevistados relataram alto consumo de álcool.

Do total de 3.799 entrevistados no Brasil, 52,8% relataram o uso da bebida alcoólica como método para relaxar de ao menos um sintoma emocional como ansiedade, nervosismo, insônia, preocupação e irritabilidade. Seja para fugir de algum problema, por diversão, ou por algum transtorno de saúde, o abuso de bebida alcoólica tem sérios agravantes.

Estudos mostram que o consumo de álcool tem influência negativa no sistema imune, tornando o organismo mais vulnerável a infecções por bactérias e vírus. Além disso, o álcool colabora para a ocorrência de depressão, ansiedade e violência doméstica, que podem ser mais frequentes durante o isolamento. O uso constante, descontrolado e progressivo de bebidas alcoólicas pode comprometer seriamente o bom funcionamento do organismo, levando a consequências irreversíveis, com prejuízos não apenas para a própria vida, mas impactando no ambiente familiar, e na vida profissional e social.  “O alcoolismo é uma doença incurável que não atinge só o alcoólatra. Adoece tanto o dependente, quanto o familiar. Em alguns pontos a família adoece primeiro do que o próprio alcoólatra, porque quando ele chega ou sai de casa a preocupação fica, e atinge todos os que estão ao redor, por isso que a doença atinge todo mundo”, disse Elenildo, membro do grupo Alcoólicos Anônimos da área 16, há 23 anos.

O alcoolismo é uma doença incurável que não atinge só o alcoólatra. Adoece tanto o dependente, quanto o familiar.

Para o psicólogo Zacarias Ramalho, docente da Estácio, esse comportamento é problemático, porque funciona como um refúgio não saudável para sentimentos de medo e de solidão. “Esse hábito pode vir a se transformar em uma dependência, porque é um comportamento voltado às faltas que afloraram durante o isolamento. Há pessoas que não desenvolveram sua resiliência, que é a capacidade de atravessar situações conflituosas, e é perigoso fazer uso da bebida alcoólica como mecanismo de defesa, para não vivenciar um momento de sofrimento de fato”, afirma o psicólogo.

Em alguns pontos a família adoece primeiro do que o próprio alcoólatra, porque quando ele chega ou sai de casa a preocupação fica e atinge todos os que estão ao redor.

Aumento do ‘Beber Pesado Episódico’

Na pesquisa realizada entre maio e junho de 2020 também foi observado, dentre os entrevistados de 30 a 39 anos, um aumento do comportamento conhecido como Beber Pesado Episódico (BPE), que ocorre quando a pessoa ingere cerca de cinco doses de bebida, o equivalente a 60 gramas de álcool, em uma única ocasião.

O especialista alerta que o consumo nocivo de bebidas alcoólicas, antes do vício, já é considerado um transtorno mental. “Neste momento, o indivíduo já possui uma condição patológica que necessita de acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, porque o uso abusivo pode levar a transtornos mais graves, com consequências físicas, psicológicas e comportamentais, como agravamento da violência doméstica, acidentes de trânsitos, dentre outros”, explica. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), três milhões de mortes por ano resultam do uso nocivo do álcool.

Combate ao alcoolismo

No Brasil, o consumo de álcool per capita é de 8,9L por ano, número acima da média mundial de 6,4L por pessoa. Segundo dados da OMS, quase 3% da população brasileira acima de 15 anos de idade é considerada alcoólatra. Diante desses números, o especialista adverte que é necessário abrir espaços para que os jovens possam falar sobre as suas emoções para tentar buscar formas de lidar com alguma problemática que possa resultar no contato tão precoce com o álcool, e lembra como a psicologia pode contribuir. “A psicoterapia pode ajudar na compreensão de algumas questões emocionais, desconstruir crenças e percepções, e ajudar a trabalhar o bem estar do indivíduo. Outro ponto muito importante é que hoje existem também serviços como os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) que dispõem de uma equipe multiprofissional que pode contribuir no tratamento da dependência química, avaliando o caso e traçando a melhor conduta terapêutica para cada pessoa”.

Fica a dica

Se você tem algum parente ou amigo que abusa no consumo do álcool, fique atento aos sintomas do alcoolismo. Caso a pessoa apresente algum deles, procure ajuda. O alcoolismo tem tratamento e a cura depende de inúmeros fatores. O principal deles é o diagnóstico rápido e a aceitação.

  • Compulsão: uma necessidade forte ou desejo incontrolável de beber;
  • Dificuldade de controlar o consumo: não conseguir parar de beber depois de ter começado;
  • Sintomas de abstinência física, como náusea, suor, tremores e ansiedade, quando se para de beber;
  • Tolerância: necessidade de doses maiores de álcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância.

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