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Covid-19: pesquisadores brasileiros desenvolvem teste mais acessível

O exame detecta o vírus por meio da saliva e possibilita usar reagentes e produtos que não estão em falta no mercado

Teste coronavírus. Foto: Agustin Marcarian

Com dificuldade de aplicar testagem em massa para controlar a disseminação do novo coronavírus, o Brasil é atualmente o país com maior aumento de casos diários de infectados e mortos pela doença. Estudos estimam que, mesmo sendo a segunda nação com maior número de casos absolutos, a subnotificação é tão alta que os dados divulgados chegam a ser 10 vezes inferiores aos números reais. Pensando nisso, pesquisadores brasileiros desenvolveram um exame molecular de baixo custo e mais acessível que consegue identificar a covid-19 por meio da saliva. 

Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Sírio-Libanês, o teste não precisa de aprovação da Anvisa, “pois é um protocolo que usa técnicas que já existem.”

Para atender a demanda represada, o laboratório brasileiro Mendelics, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, desenvolveu um novo teste que permite processar 110 mil amostras por dia. O método leva 1 hora, e, segundo os responsáveis, possui uma especificidade de 100%. Neste momento está sendo realizado projeto piloto com 50 mil vidas e não foram identificados resultados falso-positivos.

“Assim que começou a pandemia todos reconhecemos que deveríamos pensar em soluções que contribuíssem para o bem-estar de toda a população. O novo teste alivia a demanda reprimida e viabiliza a testagem em larga escala e sistemática no Brasil”, diz Laércio Cosentino, presidente do conselho da Mendelics.

Para os desenvolvedores, esse teste é o que possui maior capacidade de processamento lançado no Brasil até o momento. Ele custa em torno de R$ 95 e não depende de equipamentos e reagentes atualmente escassos.

Além disso, é considerado um método mais seguro, já que, em vez de precisar ser coletado pelo nariz por meio de um instrumento longo capaz de chegar até a garganta, depende apenas da saliva depositada diretamente em um recipiente. Assim, evita-se um movimento involuntário que pode expelir o vírus, aumentando o risco de infecção para os profissionais da saúde.

“Por ser realizado na saliva, ter um poder de processamento muito rápido, que permitirá realizar mais exames em menos tempo, podendo oferecer aos brasileiros ferramentas que permitam controlar melhor a transmissão dessa infecção”, explica Luiz Fernando Lima Reis, diretor do Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa.

A proposta é que, assim que for aprovado pelos órgão reguladores de saúde, o protocolo para o teste será liberado para outros laboratórios, a fim de aumentar a capacidade de testagem e sanar essa defasagem brasileira que atrapalha no controle da pandemia. 

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