DROGAS

O uso das drogas, suas consequências e o inferno causado por elas

O uso de drogas, suas consequências e como está o combate às drogas no Maranhão. Pessoas abandonam suas famílias e carreiras para viver no uso das drogas.

Drogas, o inferno dos nossos dias.

As drogas se constituem em eterna ameaça à sociedade. Para as famílias que perdem seus filhos e demais entes queridos para o vício que virou epidemia com o advento do craque que tem alto potencial viciante, o que impulsionou o narcotráfico, atividade alimentada pelos viciados, suas vítimas.

O tráfico é uma atividade de alta rentabilidade, o que está sempre atraindo pessoas para a atividade, apesar da sua ilicitude ser um crime gravoso, cuja lei punitiva é bastante abrangente e severa, o que não impede os operadores do “direito” encontrarem meios para devolver a liberdade aos que a repressão abarca. Os altos lucros, quase sempre, levam famílias inteiras para a atividade. Quase sempre que o chefe da família é preso, a esposa ou outros membros do seu clã assumem a “boca de fumo”.

ESTADO SOB AMEAÇA

O Maranhão vive hoje o que pode-se chamar uma epidemia de consumo de drogas, especialmente o “craque”, que tem como princípio ativo a cocaína. Este alucinógeno, nesta apresentação sólida, se torna altamente viciante. Especialistas dizem que, em alguns casos, basta usar uma vez para que a pessoa fique dependente.

A cocaína causa uma euforia intensa e rápida, seguida imediatamente pelo oposto — depressão intensa, pressão alta e fissura por mais droga. As pessoas que a usam não comem nem dormem adequadamente. Elas podem experimentar taquicardia, espasmos musculares e convulsões. A droga pode fazer com que as pessoas se sintam paranoicas, furiosas, hostis e ansiosas — mesmo quando não estão sob efeito da droga.

Independente do aumento da quantidade ou frequência do uso, a cocaína aumenta o risco de o usuário ter um ataque cardíaco, derrame cerebral, convulsões ou insuficiência respiratória, sendo que qualquer um destes pode resultar em morte súbita.

A cocaína interfere na maneira como o cérebro processa os elementos químicos, uma pessoa precisa de cada vez mais da droga para se sentir “normal”. As pessoas que se tornam dependentes de cocaína (assim como na maioria das outras drogas) perdem o interesse pelas outras áreas da vida.

UMA LUZ NO FUNDO DO TÚNEL

Uma luz de esperança surge com as ações desenvolvidas pelo delegado Joviano Furtado. Motivado a partir de uma operação da qual participou, na cracolândia do João Paulo, o delegado Joviano, a partir de então, vem se dedicando na recuperação de pessoas que se encontram no fundo do poço do vício das drogas.

Como apoio de òrgãos do poder público, como o Cras do Monte Castelo, Oásis, na Cohab, Fazenda Esperança, em Coroatá e outros, assim como de organismo ligados ao setor privado como o Senac, o doutor Joviano se aventura pelas ruas, fazendo campanha para atrair os viciados que desejam tratamento. As adesões são muitas.

No mês de janeiro, ele e seus apoiadores, uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, enfermeiros, médicos e assistentes sociais, fizeram três operações e resgataram 18 pessoas, que manifestaram desejo de deixar as drogas. Duas destas pessoas foram encaminhadas para a casa de acolhimento Oásis, na Cohab, e 16 para a Fazenda Esperança, em Coroatá, que mantém convênio com o Governo do Estado, para efetivar o tratamento destas pessoas que são encaminhadas e que permanecem em regime de internato.

“ As pessoas são perguntadas se desejam fazer o tratamento e deixar as drogas. Algumas aceitam, outras não. e não são forçadas. Mas existem casos em que representamos ao Judiciário pela internação compulsória, quando se trata de pessoas que já estão totalmente dominadas pelas drogas e cujas ações, já prejudicam também familiares”, asseverou o delegado.

Conforme o delegado Joviano, a nova cracolândia da cidade é a praça do Mercado Central. Viciados de vários pontos migraram para aquela região em virtude de ali se abrigarem sob a marquise do mercado e pela facilidade de conseguir comidas, geralmente doadas por pessoas caridosas, ou através de dinheiro conseguido com pequenos carretos. Assim, dezenas de homens e mulheres ali se encontram formando uma legião de indigentes.

“LARGUEI FAMÍLIA PELAS DROGAS”

A reportagem de O Imparcial visitou a Praça do Mercado Central, no Centro Histórico de São Luís, hoje transformada em uma cracolândia. São dezenas de pessoas que ficam vagando pelas ruas do entorno do prédio do mercado, onde também estão presentes os “aviões” dos traficantes, pessoas encarregadas de abastecer os viciados com as drogas que usam.

Ali encontramos Maria Luiza. Uma mulher extremamente magra, dentes necessitando de cuidados e enegrecidos pelo uso contínuo da droga. Vestida com roupas rotas e sujas e o forte odor do seu corpo denotava que a referida fazia muitos dias sem banhar.

Ela aceitou conversar, mas com a condição de não publicar o seu verdadeiro nome, razão pela qual usaremos pseudônimo para todos os entrevistados. Maria Luiza conta 38 anos, mas tem aparência de uma anciã. Ela disse que teve acesso às drogas através de um namorado que avalia que foi o grande amor de sua vida (já falecido) e que começou experimentando timidamente e, quando se deu por conta, já estava dependente.

Assim deixou de trabalhar. Era comerciária. E abandonou os três filhos menores com seus pais e passou a morar na rua, onde até hoje vive. Disse que já pensou deixar as drogas, mas teme não ser aceita pela sua família que não permite que ela tenha qualquer contato com os filhos.

Outro personagem desta história triste é José Ribamar. Mecânico de autos, estudou até o ensino médio e pensava em fazer vestibular para se formar em Direito. Queria ser advogado, mas deixou a profissão de mecânico e os estudos, e passou a se dedicar ao consumo das drogas. Não trabalha mais e vive pedindo para sustentar o vício.

Tem 42 anos e conta que seu calvário começou quando colegas lhe ofereceram o craque e então se tornou vício. “Dois destes amigos já morreram de overdose e eu não sei até quando vou viver. Penso em deixar as drogas, mas fico impotente diante desta droga viciante”, disse Ribamar.

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