SAÚDE

Campanha chama atenção para os cuidados com a saúde mental

Campanha alerta para a saúde mental e emocional e tenta estabelecer uma cultura de prevenção não só das patologias, mas de relacionamentos

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Você sabe por que existe uma campanha chamada Janeiro Branco? Porque desde 2014 observou-se que as pessoas precisam cuidar, além da saúde física, da saúde mental. Lembra daquele máxima: “mente sã, corpo são”?  É uma observação milenar, dita pelo filósofo romano Juvenal que fazia relação entre corpo e mente. Janeiro é o mês em que as pessoas têm a sensação de um novo começo, novos planos e novo estilo de vida. Janeiro é o mês em que, para alguns, é novinho como um caderno em branco, onde uma nova história pode ser escrita. Janeiro é o mês simbólico no calendário para lembrar que a saúde mental, sem os tabus e preconceitos que a cercam, precisa ser cuidada.

No mundo, o suicídio acomete mais de 800 mil pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É a segunda causa de morte no planeta entre jovens de 15 e 29 anos — a primeira é a violência. No Brasil, o suicídio aumentou gradativamente entre 2000 e 2016: foi de 6.780 para 11.736, uma alta de 73% nesse período. É a quarta causa de morte no Brasil. O suicídio é quando a mente já está debilitada ao extremo.

Preocupada com esse quadro, aqui em São Luís, a Pastoral Familiar da Arquidiocese de São Luís, por meio do setor Casos Especiais, lançou a campanha desde o ano passado. Este ano, a palestra Quem cuida da mente, cuida da vida, ministrada pela psicóloga Marina Bentivi, reuniu a comunidade não só da igreja.

Segundo Terezinha Costa, uma das coordenadoras do setor, o entendimento é levar a informação para fora do âmbito da igreja. “Através da Pastoral Familiar, vamos fazendo esse trabalho esclarecendo, levando orientação. Esse setor, Casos Especiais, cuida da fragilidade humana, com as famílias, com situações delicadas, e aí é necessário que a gente tenha cuidado, trabalhar a escuta, é voltado para o conhecimento, para o entendimento. Dentro da família às vezes a pessoa dá sinais e a gente não percebe”, diz Terezinha, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus do Bequimão.

Para a psicóloga clínica Marina Bentivi (CRP 22/00811), voluntária na campanha, a saúde mental não se resume só a estar com uma patologia, é o momento de avaliar como estão os comportamentos, pensamentos. “Isso é fundamental porque o que percebemos é que estamos adoecendo emocionalmente e a gente precisar fazer algo. O Brasil é o primeiro lugar em transtorno de ansiedade no mundo. Nosso índice de suicídio é altíssimo. Se isso está acontecendo é porque nos estamos adoecendo emocionalmente,  e porque não temos uma cultura da saúde mental. A gente ainda cuida do corpo, mas não tem um olhar  para saúde mental”, comenta a psicóloga .

Problema de saúde pública
O suicídio é considerado um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. De 2012 a 2016, ocorreram em média 11 mil suicídios na população geral e 3.043 suicídios entre adolescentes e jovens, colocando o suicídio como a quarta causa de morte nesses grupos etários. No Maranhão, a taxa de morte de adolescente em 2016 por 100 mil habitantes é de 7,5%.  Na região metropolitana, somente no mês de dezembro de 2018, foram registrados oito suicídios.

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