SAÚDE

Sua mandíbula costuma travar? Especialista explica o que fazer

Conhecida como disfunção da ATM, a articulação temporo-mandibular, a sensação causa desconfortos

Comum em adultos de 20 a 50 anos, a disfunção da ATM causa muitos desconfortos faciais, mas pode regredir com compressas e massagens. Localizada atrás da bochecha e perto do ouvido, a articulação temporo-mandibular (ATM) liga a mandíbula ao crânio, sendo umas das que mais trabalham no corpo, pois é responsável pela fala e por engolir e mastigar. E é exatamente por causa desse excesso de trabalho (afinal, comemos e falamos diversas vezes por dia) que algumas vezes ela falha, causando os distúrbios da ATM.

A Disfunção Temporomandibular (DTM), que costuma atingir pessoas entre 20 e 50 anos, se caracteriza por uma dor na região que começa fraca, mas que, ao longo do tempo, sem tratamento, vai piorando.

Os sintomas mais comuns da DTM são: dificuldade ou estalos ao abrir a boca, não conseguir abrir ou fechar a boca, dores próximo à orelha e principalmente dores de cabeça mais de duas vezes por semana. ‘‘Como os sintomas envolvem áreas comuns a outras especialidades médicas, geralmente o cirurgião-dentista é o último profissional da saúde a ser procurado, fato que leva a uma demora no início do tratamento adequado e a possibilidade de a doença entrar em um estado de cronicidade”, alerta Saulo de Matos, cirurgião bucomaxilofacial.

Algumas das dores de cabeça são dos músculos que fazem os movimentos da boca e às vezes as áreas-gatilho que geram essa dor ficam em locais distantes das áreas que as mesmas são sentidas. Esse mecanismo de dor muscular é chamado de dor miofascial. “Esse é um mecanismo muito interessante e responsável por muitos erros de diagnóstico, pois a dor se manifesta em um local onde não há nenhum problema. É muito comum os pacientes chegarem ao consultório com histórico de dores na cabeça, muitos relatam que ela é de muito tempo, com o diagnóstico de enxaqueca e fazendo uso de diversos medicamentos. Quando se procede ao exame clínico, observa-se que a dor é gerada por mecanismos musculares e não uma enxaqueca propriamente dita’’, comenta o especialista.

As DTMs são causadas por movimentos desnecessários que fazemos com a boca e cirurgião destaca alguns:

1 – Ficar apertando levemente os dentes;
2 – Morder os lábios ou bochechas;
3 – Posições erradas de trabalho, de dormir, etc.

O treino para a eliminação desses hábitos, ou a proteção dos dentes e dos músculos para os que apresentam o bruxismo, pode ser a chave para o alívio dos sintomas da disfunção. “Geralmente, o controle das DTMs é simples e conservador, feito por meio de terapias caseiras, exercícios, compressas, relaxamento muscular e reeducação comportamental. Na maioria dos casos, é necessária a interação de uma equipe transdisciplinar para o melhor entendimento e condutas específicas nas áreas de: fonoaudiologia, neurologia, psicologia, reumatologia, otorrinolaringologia, endocrinologia”, lembra Saulo de Matos.

Não é necessária a cirurgia

Cirurgias são de rara indicação (menos de 1% dos casos). Se o paciente tiver algum procedimento cirúrgico indicado, seja cuidadoso. “Sugiro sempre perguntar sobre a porcentagem de melhora com essa modalidade de tratamento. Esses tipos de tratamentos geralmente são invasivos, irreversíveis, caros e na maioria das vezes resultam em insucesso”, finaliza o cirurgião.

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