Política · deepfake

Entenda como funciona a IA que recriou Bolsonaro em convenção do PL

A tecnologia de 'deepfake' avança; saiba como são criados vídeos ultrarrealistas e entenda a proibição do TSE para o uso em campanhas políticas.

Trecho do vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA - (crédito: Reprodução/YouTube)
Trecho do vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA - (crédito: Reprodução/YouTube)

Um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, foi gerado por inteligência artificial e exibido no último sábado (25/7) durante a convenção do PL que oficializou a candidatura do filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A aparição digital, conhecida como deepfake, acendeu um debate imediato sobre a legalidade do uso da tecnologia na política, especialmente por violar regras eleitorais vigentes.

Como a tecnologia funciona na prática

A criação de um deepfake depende de uma grande quantidade de material real, como fotos e vídeos, para que o sistema de IA aprenda os traços, expressões e movimentos do indivíduo. O processo utiliza duas redes de inteligência artificial que trabalham em competição. Uma rede, a “geradora”, cria as imagens falsas, tentando imitar o material original. A segunda rede, a “discriminadora”, atua como um verificador, analisando se o conteúdo é real ou falso. Com base nesse feedback, a geradora se aprimora. Esse ciclo se repete milhares de vezes, resultando em vídeos cada vez mais convincentes.

Além da imagem, a voz também pode ser clonada. A partir de amostras de áudio, a IA aprende o tom, o sotaque e as nuances da fala, tornando-se capaz de gerar frases inéditas com uma voz sintética quase idêntica à original.

Uso em campanhas é proibido pelo TSE

O uso de deepfakes em campanhas políticas representa um risco à democracia e é expressamente proibido no Brasil. A Resolução nº 23.732 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) veda a utilização de conteúdo sintético de áudio ou vídeo para criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de um candidato ou apoiador com o objetivo de prejudicar ou favorecer candidaturas.

Após a exibição no evento do PL, representações foram protocoladas na Procuradoria-Geral da República (PGR) e no próprio TSE, questionando a legalidade do vídeo. Embora a gravação exibida contivesse um aviso de que era uma simulação por IA, a legislação eleitoral não abre exceções para o uso com disclaimer, focando no potencial de manipulação do eleitorado.

É possível identificar um vídeo falso?

Embora a tecnologia esteja avançando, alguns sinais ainda podem ajudar a identificar um deepfake. É importante observar detalhes que a IA pode errar. Preste atenção em movimentos estranhos ou na falta deles, como uma pessoa que pisca pouco ou de forma não natural.

Outros indícios incluem:

  • Iluminação inconsistente no rosto em relação ao resto do ambiente.
  • Bordas do cabelo ou do rosto que parecem borradas ou artificiais.
  • Sincronia labial que não parece perfeita com o áudio.
  • Tons de pele que parecem ligeiramente artificiais ou irregulares.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

*Correio Braziliense