Brasil · "vão apanhar muito"

Lula reage a críticas externas e diz que eleições brasileiras serão decididas pelo povo

Presidente afirmou que o Brasil não aceitará interferências estrangeiras no processo eleitoral e alertou para o uso de desinformação e inteligência artificial durante a campanha

(Foto: Ricardo Stuckert / PR)
(Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado que o Brasil não aceitará qualquer tentativa de influência estrangeira nas eleições de outubro. A declaração foi feita durante a convenção partidária que confirmou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao Governo de São Paulo.

Em seu discurso, Lula destacou que a soberania nacional deve ser respeitada e reforçou que apenas os brasileiros têm o direito de decidir os rumos do país. O presidente também fez um alerta a governos e representantes internacionais que, segundo ele, possam tentar interferir no processo eleitoral.

“Quem quiser, de fora, vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições”, declarou.

Lula também afirmou que valores como caráter e dignidade são aprendidos desde a infância e não podem ser adquiridos por outros meios.

As declarações ocorrem após o governo brasileiro negar o visto de entrada a uma delegação dos Estados Unidos que pretendia visitar o país para tratar de temas relacionados à liberdade de expressão e ao sistema eleitoral.

O grupo era composto por Riley M. Barnes, secretário de Estado adjunto para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado norte-americano, e Samuel D. Samson, subsecretário adjunto da mesma área. A visita gerou preocupação por acontecer após declarações do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que voltou a questionar, sem apresentar provas, a confiabilidade das urnas eletrônicas.

Segundo o governo brasileiro, a decisão de barrar a entrada da comitiva foi motivada pelo receio de interferência no processo eleitoral.

Campanha e inteligência artificial

Durante o evento, Lula também voltou a defender a candidatura de Fernando Haddad e destacou a trajetória política dos integrantes da chapa. O presidente ainda afirmou que a disputa eleitoral será marcada pelo uso intenso das redes sociais e da inteligência artificial.

De acordo com ele, adversários poderão recorrer à tecnologia para criar informações falsas, distorcer fatos e divulgar promessas que não pretendem cumprir. Para Lula, a desinformação será um dos principais desafios da campanha.

O presidente também elogiou o candidato a vice-governador Márcio França (PSB) e as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que disputarão vagas no Senado. Ao comentar os aliados, afirmou que todos possuem uma trajetória pública consolidada e defenderam suas atuações ao longo da vida política.