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Cenário das eleições de 2022 ainda é uma página em branco

Como 2022 está distante e no meio do tempo tem ainda a eleição municipal deste ano, o próprio Flávio Dino e seu vice Carlos Brandão vão continuar como sempre foi desde o primeiro de janeiro de 2015

Reprodução

Quando o governador Flávio Dino declarou que o seu vice Carlos Brandão é “candidato natural” ao Palácio dos Leões em 2020, ele não disse nada de surpreendente. Afinal, o vice-governador é o sucessor natural em qualquer circunstância. Pela Constituição Federal de 1988, o cargo de vice-governador, como o de vice-presidente da República, é necessário para a imediata substituição do titular em caso da eventual ausência do titular.

Além disso, o vice-governador auxiliará o titular do mandato sempre que por ele convocado para missões especiais, e Carlos Brandão tem feito isso com muita competência e lealdade a Flávio Dino. Ele, em cinco anos de mandato, jamais teve qualquer divergência com o governador e cumpriu com o rigor e liturgia da função todas as missões – inclusive várias internacionais para a China e outros países asiáticos, na defesa dos interesses do Maranhão.

A candidatura “natural” de Brandão, colocada como fato inarredável por Flávio Dino neste último fim de semana, apenas tem a relevância de que o cargo vai ficar vago. Significa que o governador irá renunciar dentro do prazo de desincompatibilização, que se esgota no dia primeiro de abril de 2022, para concorrer a outro mandato. Seja de presidente da República, seja de vice-presidente, seja ao Senado Federal, caminho “natural” de governadores após deixar o poder.

Na história recente da política do Maranhão, apenas o governador Luiz Rocha cumpriu seu mandato integralmente até o último minuto permitido pela legislação, em 15 de março de 1987. Foi a transmissão de cargo marcada por uma folclórica passagem de governo ao major comandante da guarda do Palácio dos Leões, enquanto o sucessor Epitácio Cafeteira recebeu a faixa, na raça Pedro II, das mãos do presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Murad.

Vale destacar ainda que Luiz Rocha transpôs os quatro anos de mandato sem permitir que o vice João Rodolfo, de quem era adversário, assumisse o cargo com a frequência que Flávio Dino tem sido franqueado atualmente a Carlos Brandão. Já Roseana Sarney, ficou todo o ano de 2014, último de seus quatro mandatos no Palácio dos Leões, tentando costurar uma engenharia política que permitisse deixar no governo um candidato com potencial para ganhar a eleição.

Até o vice Washington Oliveira (PT) foi retirado da sucessão em troca de um emprego vitalício no Tribunal de Contas. O ex-prefeito de São José de Ribamar, Luís Fernando Silva, secretário e preferido de Roseana, pulou fora do projeto. E a governadora acabou renunciando 20 dias antes do término do mandato (10 de dezembro), para aliado do então PMDB, Arnaldo Melo, presidente da Assembleia Legislativa, terminar.

Como a construção projetada por Roseana deu tudo errado, o sarneísmo desmoronou de vez e Flávio Dino foi eleito no primeiro turno. A até hoje, para concorrer à prefeitura de São Luís, o grupo Sarney só conta com uma candidatura potencial, a própria Roseana Sarney que, porém, regateia à indicação pressionada pelo seu partido, o MDB, e suas principais lideranças, como o ex-senador João Alberto e o deputado estadual Roberto Costa.

Se em 2020, o grupo Sarney tem dificuldade em disputar a eleição da capital sem correr risco de perder, na cidade onde nunca elegeu um prefeito, o que poderá ocorrer em 2022, na eleição de governador? Portanto, nesse cenário de transformação política, de influências marcadas por fatores externos, como as ferramentas das redes sociais e o instrumento perigoso das fake news, o governador Flávio Dino sobressai no contexto nacional como uma liderança presente nas mídias nacionais e internacionais, com potencial para despertar a atenção de prováveis candidatos da esquerda (PT) e da direita, como Luciano Huck, ainda sem partido.

Como 2022 está distante e no meio do tempo tem ainda a eleição municipal deste ano, o próprio Flávio Dino e seu vice Carlos Brandão vão continuar como sempre foi desde o primeiro de janeiro de 2015. Porém, ele tem questões internas no grupo que acha melhor nem debatê-las agora, como as prováveis candidaturas de Brandão (Republicanos), do senador Weverton Rocha (PDT), do deputado federal Josimar do Maranhãozinho (Podemos), do presidente da Assembleia Legislativa Othelino Neto (PCdoB) e, pela oposição, o senador Roberto Rocha, em fim de mandato.

No Palácio dos Leões, o debate sobre eleição de governador já entremeia conversas informais, inclusive com Flávio Dino, mas com ele dando as coordenadas de como elas deverão ser conduzidas – cujo foco hoje são as eleições municipais. São elas que vão demarcar, claramente, a posição de cada liderança para o pleito seguinte e indicar o tamanho da força do próprio Flávio Dino, com sua confederação de partidos ao redor, além de ter no Palácio do Planalto um presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro, que tem, por ideologia, ódio fervente a qualquer político que considera comunista.

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