DEBATE

“Não é tocando fogo nas ONGs que vamos salvar a Amazônia”, afirma Dino

A reunião contou com a participação dos nove governadores que compõem a Amazônia Legal e foi transmitida pelas redes sociais do governo federal

Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu na manhã desta terça-feira, 27, no Palácio do Planalto, com os governadores dos 9 estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal, para debater sobre as queimadas que estão ocorrendo na região. A Amazônia Legal é formada pelos sete estados da Região Norte (Acre, Amapá, Amazonas, Pará Rondônia, Roraima, Tocantins), além de Mato Grosso e Maranhão.

Durante a reunião que durou cerca de duas horas e meia, e foi transmitida ao vivo pelas redes sociais do governo federal, os governadores defenderam o domínio do país sobre a parte da Amazônia que está no território brasileiro.

Questionando os governadores presentes sobre a porcentagem de terras indígenas em cada um dos seus estados, Bolsonaro em seu discurso, afirmou que considera uma “irresponsabilidade” a política de demarcação adotada por governos anteriores, e que o encontro mostra ao mundo onde o país chegou com uma política ambiental, que segundo o presidente, não foi usada de maneira racional.

“A Amazônia foi usada politicamente desde o Collor para cá. […] Aos que me antecederam, foi uma irresponsabilidade essa política adotada no passado, usando o índio ao inviabilizar esses estados”, disse. “Essa questão ambiental tem de ser conduzida com racionalidade, não com esta quase selvageria como foi feita nos outros governos”, ressaltou o presidente.

Em debate sobre a exploração mineral em terras indígenas, os governadores do Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia e Tocantins concordaram com o presidente e afirmaram que é preciso haver formas de estimular a produção nessas terras. 

Governadores e ministros reunidos

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), defendeu que a soberania da região não deve ser afirmada retoricamente, mas com o cumprimento de deveres. Dino também se mostrou a favor do diálogo com outros países.

“Não precisamos de qualquer mudança legislativa. Todos os instrumentos já foram aprovados por governos anteriores. Na Constituição está definido que a Amazônia é território nacional, indeclinável para todos. Soberania nacional não se afirma retoricamente, e sim, mediante deveres. É uma obrigação. Não é uma fraseologia, um slogan, é uma obrigação que devemos cumprir”, afirmou. 

Ainda durante o seu discurso, Flávio Dino comentou, também, as declarações de Bolsonaro sobre a atuação das ONGs nas queimadas, que disse que as organizações que atuam na região, atendem a interesses externos.

“Não podemos dizer que as ONGs são inimigas. Não é tocando fogo nelas que vamos salvar a Amazônia. Tem que separar o joio do trigo. Não sou daqueles que sataniza as ONGs, isso é um equívoco. Temos organizações de imensa seriedade que atuam aqui”, disse.

Ao fim, Dino enfatizou que o caminho do meio termo é o melhor para encerrar a crise. “O meio termo é a melhor receita porque quando se solta uma faísca em níveis mais altos, pode-se chegar a um incêndio na base. Não é com postura reativa que vamos sair dessa crise. É preciso ter moderação e diálogo”, disse. 

Bolsonaro, durante o debate, também falou sobre a situação com o presidente da França, Emmanuel Macron, com quem vem trocando farpas desde a semana passada. “Nós vamos juntos achar solução para isso e que vai dar uma satisfação para o mundo. Pessoas como o Macron deve pensar duas ou três vezes. Ninguém é contra dialogar com a França”, disse.

O presidente anunciou sem muitos detalhes, que até quinta-feira (29) fechará um pacote de medidas, com sugestões dos governadores presentes, para a região amazônica, e criticou o que chamou de “indústria da demarcação das terras indígenas”.

“Se eu demarcar agora, o fogo na floresta amazônica acaba em dois minutos”, disse. “Eles querem a nossa soberania. Ninguém [no governo] quer destruir a Amazônia”, acrescentou Bolsonaro.

G7

Ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã desta terça-feira (27), Bolsonaro foi questionado sobre a ajuda de US$ 20 milhões (cerca de R$ 83 milhões) anunciada pelo G7 (grupo das maiores economias do mundo, que se reuniu nesse fim de semana e discutiu o tema) para ações na Amazônia e disse que só conversará sobre o assunto se o presidente da França, Emmanuel Macron, retirar os “insultos” que fez a ele.

“Primeiramente, o senhor Macron deve retirar os insultos que ele fez à minha pessoa. Primeiro me chamou de mentiroso e depois, as informações que eu tive, de que a nossa soberania está aberta na Amazônia. Então para conversar ou aceitar qualquer coisa da França, que seja das melhores intenções possíveis, ele vai ter que retirar essas palavras e daí a gente pode conversar”, disse.

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