POLÍTICA

Deputado do MA exige que Sérgio Moro esclareça motivo de viagem repentina aos EUA

“É sintomático (…) que aqui não esteja o ministro Sérgio Moro, que inventou, às pressas, uma reunião estranha”, disse Márcio Jerry (PCdoB), ao jornalista Glenn Greenwald – responsável por publicar os diálogos da Lava Jato

Foto: Divulgação

“É sintomático (…) que aqui não esteja o ministro Sérgio Moro, que inventou, às pressas, uma reunião estranha”, disse o representante maranhense da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Márcio Jerry (PCdoB), ao jornalista Glenn Greenwald – responsável por publicar os diálogos da Lava Jato – em uma sessão nesta terça-feira (24). O deputado protocolou dois requerimentos: um convocando Moro para comparecer à Comissão para prestar esclarecimentos sobre os diálogos e outro, para explicar o motivo de sua viagem repentina aos Estados Unidos – causa pela qual não compareceu à sessão.

O primeiro requerimento será votado nesta quarta (26) na Comissão. Caso aprovado, Moro será obrigado a comparecer à Casa para prestar esclarecimentos sob pena de crime de responsabilidade. Já o segundo, que diz respeito à viagem aos EUA, não necessita de votação e será encaminhado diretamente ao ministro, que terá o prazo de 30 dias para se explicar.

Convidado, Moro confirmou presença no debate com Glenn na Câmara, mas acabou adiando por conta de uma viagem imprevista ao país norte-americano, cujos compromissos e objetivos não constam na agenda oficial. O ministro também disse que compareceria à uma sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta (26), mas adiou o compromisso pela mesma razão.

Jerry protocolou ação nesta terça. Foto: Divulgação

“Já protocolamos um pedido de informação sobre o que faz Sérgio Moro nos Estados Unidos no momento em que o Brasil inteiro pede, quer e merece explicações dele sobre esses cometimentos tão graves havidos na operação Lava Jato”, completou o deputado federal do Maranhão durante a sessão.

Ao fim de sua fala, Jerry questionou o jornalista sobre possíveis interações entre a setores norte-americanos e a força-tarefa, responsável pela prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. “O presidente Lula, recentemente, em uma entrevista que deu ao senhor, disse que tinha muita convicção da participação dos Estados Unidos na Operação lava jato. Qual a sua apreciação sobre isso?”

O jornalista do The Intercept, Glenn Greenwald, responsável pela publicação das matérias que mostram uma suposta cooperação proibida entre o então juiz Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e outros membros da Operação Lava Jato, foi convidado da Câmara naquele dia, onde rebateu acusações e agradeceu pelo apoio dos deputados federais que compõem a comissão. Vários membros do partido do governo, PSL, faltaram ao evento.

Sessão da Comissão de Dreitos Humanos nesta terça-feira. Glenn Greenwald esclarece diálogos e se defende de acusações. Foto: Divulgação

Único representante do Maranhão na Comissão, Jerry lembrou sua formação como jornalista e ressaltou a importância dos documentos publicados por Glenn. “Um trabalho que tem uma envergadura histórica para o Brasil, porque permite fazer com que uma série de dúvidas e questionamentos de fatos estranhos em nosso país possam ser confirmados através desses diálogos”, defendeu.

“É muito forte, simbólica, eloquente a sua presença aqui, trazendo um testemunho vivo, verdadeiro, sobre um trabalho essencialmente jornalístico”, disse o deputado maranhense ao jornalista. “Com todas as prerrogativas que precisamos ter, inclusive o sigilo de fonte, para que a sociedade possa ter o direito humano à informação”, concluiu.

Sérgio Moro cara a cara com senadores maranhenses

Weverton. Foto: Divulgação

Na quarta-feira da semana passada (19), Sérgio Moro foi ao Senado se pronunciar sobre os diálogos. Na sessão com a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), os senadores Weverton (PDT) e Roberto Rocha (PSDB) foram os membros que representaram o Maranhão – ambos presentes na lista dos congressistas mais influentes do país.

A sessão abriu com a fala de Weverton. Em forma de questionamentos, o pedetista lançou uma série de críticas à conduta supostamente parcial de Moro, enquanto juiz da Lava Jato, ao trocar orientações com o procurador geral da República, Deltan Dellagnol. “Não deveria o juiz manter-se equidistante das partes? (…) Vossa excelência nunca teve sentimento de parcialidade em relação aos processos da Lava Jato?”, questionou.

Referindo-se à defesa do ministro, na qual ele alega que as mensagens tenham sido obtidas ilegalmente a partir de um ataque de hackers, o senador prossegue: “no pacote anti-corrupção, o senhor apoiou o aproveitamento de provas ilícitas. Por que, nesse caso, as provas ilícitas dos seus diálogos não valem?”

“Doutor Moro, o senhor é um homem do direito. Um símbolo da Justiça. O senhor foi um homem corajoso que prendeu homens poderosos. A OAB, agora, está propondo o seu afastamento do ministério da Justiça. Para preservar sua imagem de ‘Super-Homem’, o senhor não deveria se afastar?”, perguntou, reiterando a sugestão já feita pelo governador Flávio Dino.

O senador questionou a legitimidade da condenação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), que o impediu de concorrer às eleições e levou à vitória de Jair Bolsonaro (PSL). “Depois disso, o senhor aceitou ser ministro. O senhor não acha que a sua postura maculou suas decisões anteriores como juiz?”. O pedetista ainda trouxe à tona a suposta escolha do juiz de não envolver o ex-presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso) nas investigações, conforme divulgado na reportagem do The Intercept no último dia 18.

Em resposta, Sérgio Moro reafirmou a narrativa da ação de hackers criminosos com o objetivo de obstruir o combate à corrupção. “Essas mensagens podem ser total ou parcialmente adulteradas. Mesmo assim, do que foi veiculado, tirando o gritante sensacionalismo, não se vislumbra ali qualquer ilicitude”.

Em réplica, Weverton afirmou que as críticas não se referem à pauta anticorrupção, e sim à forma como o processo judicial foi conduzido. Por fim, interrogou o ministro sobre quais ações estão sendo tomadas para o combate interno de práticas ilícitas, como as acusações feitas a Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito.

Do lado oposto do espectro político, está Roberto Rocha. Em suas considerações, optou pela defesa de Moro. “Não consigo ver conluio em nada do que está dito”, aferiu. “O produto de toda esta força-tarefa foi que, até agora, bilhões de reais já foram devolvidos aos cofres públicos”.

Roberto Rocha. Foto: Divulgação

O psdebista pendeu para a criminalização da forma como ele sugere terem sido adquiridas as conversas – por supostos ataques de hackers. “Estamos aqui há horas e horas para discutir uma atitude criminosa de um sujeito que grampeou um juiz e o MP, certamente esta nos grampeando, a todos nós brasileiros. e o pior, solta esses vazamentos a conta-gotas, fora de contexto, criando suas próprias versões. Não se ouve um alvo, um print. Quem pode garantir que aquilo não é um texto dele mesmo?”

Rocha desconfia que os vazamentos sejam uma espécie de ‘cortina de fumaça’ para a votação da Reforma da Previdência, que julga ser o mais importante para o país no momento.

“Eu fico inquieto, Às vésperas de votar uma matéria tao importante quanto a a reforma da Previdência. E é curioso, como, durante o Governo Temer, às vésperas de votarmos a reforma da Previdência, veio de novo um grampo, um vazamento. Parece uma conspiração para não se votar a reforma da Previdência, necessária para o país”, teorizou o senador.

Apesar de condenar o suposto ataque de hackers a pessoas de cargos públicos, Roberto Rocha adota mais uma vez a defesa de Moro ao afirmar que não observa um comportamento antiético nas mensagens. Pelo contrário – segundo ele, a interação mostrada entre um procurador e um juiz seria uma das bases para a força-tarefa da Operação Lava Jato.

“Quando se fala em força-tarefa, é força-tarefa. Como é que um juiz não conversa com um procurador? Ou então não é força-tarefa”, argumentou. Rocha disse que o ministro se tornou um “alvo” por ter aceitado o cargo no governo Bolsonaro. A ida à CCJ e o escândalo com as conversas vazadas, para o senador, fortalecem mais do que enfraquecem o cargo de Moro. “Eu penso que ele vai sair daqui muito maior do que entrou”, reforça.

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