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O depoimento do neto de José Sarney, Adriano, não foi a primeira tentativa do Grupo Sarney segurar na saia do ex-presidente Lula para alavancar a candidatura de Roseana Sarney. Para quem não lembra, deputado estadual pelo Partido Verde, Adriano Sarney, defendeu a tia em palanque montado na cidade de Vargem Grande.

No encontro político, comparou o capital político de Luís Inácio Lula da Silva com o de Roseana Sarney Murad. “Sabe o que andam dizendo pelo Maranhão? Sabe o que andam dizendo no Brasil inteiro? Que a Roseana é a ‘Lula do Maranhão’. Quem gosta do Lula levanta a mão, aí”, disse Adriano em vídeo que circulou na Internet.

Mas os sinais de companheirismo não apareceram quando Lula mais precisou. A queda de Dilma representou também a queda do ex-presidente. A lealdade e parceria não apareceu quando o partido de Adriano Sarney, representado pelo seu pai, o deputado federal e postulante ao senado federal, Zequinha Sarney, foi a favor da abertura do processo de impeachment, da então presidente Dilma Rousseff. Inclusive, 100% da bancada Verde foi favorável ao prosseguimento do processo contra Dilma.

Mas a interferência do Grupo Sarney não se resumiu ao voto de Zequinha, o grupo também fez o corpo-a-corpo para ampliar a vantagem na votação na Câmara Federal. Alberto Filho (MDB), Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (DEM), Victor Mendes (PSD) votaram alinhados com o deputado federal Sarney Filho (PV). Os outros “sim” do estado do Maranhão vieram de aliados do governador Flávio Dino (PCdoB). São eles, o presidente do partido Progressista maranhense, André Fufuca, de Cleber Verde (PRB), do antigo aliado José Reinaldo Tavares (à época, no PSB) e da deputada federal e candidata ao senado na chapa do governador, Eliziane Gama (PPS).

A publicação on-line de O Estadão, ainda deu conta da articulação dos irmãos Roseana e Zequinha para mobilizar também a bancada do Nordeste e garantir a derrocada de Dilma Rousseff. Quando o processo já estava para ser julgado no Senado Federal, o ex-presidente ainda tentou, em vão, ajuda do ex-presidente José Sarney. Lula acreditava que Sarney poderia intervir junto aos senadores João Alberto e Edison Lobão. Mas o que aconteceu é que os dois senadores, somando voto com Roberto Rocha (ex-PSB), foram a favor do impedimento da petista. Não houve sinal de companheirismo.

Se no Brasil a popularidade de Lula fica em um patamar de 30% de intenções de voto, no Maranhão sua aprovação é estratosférica, com mais de 70% de aprovação do eleitorado. No jogo do vale tudo eleitoral, pode não parecer contraditório a postura de antes e de agora do grupo Sarney. Mas é.

Diversos atores políticos ligados ao ex-presidente José Sarney estão acenando para o ex-presidente Lula. O senador Edison Lobão (MDB) visitou Lula na prisão no último dia 17 de julho e conversou com jornalistas logo na saída que teve “uma longa visita com o presidente Lula e percebi um homem de espirito elevado, que não se abate com as dificuldades. Ele tem plena convicção de que sua inocência será comprovada”. Antes disso, Roseana já tinha corrido para redes sociais para pleitear a liberdade de Lula. Em foto publicada, ao lado de Lula, Roseana colocou na legenda do Facebook: “A luta de Lula por justiça também é nossa! Vigília #LulaLivre. #Roseana#Maranhão #EquipeGuerreira”, e cravado na imagem tinha ainda: “O Maranhão está com Lula, eu também estou”.

Quem também usou e abusou das redes sociais para defender o mandato de Dilma Rousseff, foi o governador Flávio Dino.  Com um pequeno detalhe. Desde o início, Flávio esteve em defesa da ex-presidente. Contra os movimentos pró-impendimento à votação do processo no Congresso Nacional. Lula também foi defendido por Flávio.

O palco de defesa do governador foi o Twitter e Facebook, da especulação, movimentos de rua até a votação para abertura do processo, Flávio quis liderar governadores para defender o mandato da ex-presidente.

Lula sem dono

Lula virou o coringa das eleições do Maranhão. Um candidato de todos e de ninguém. Nem mesmo o Partido dos Trabalhadores (MA) consegue surfar na popularidade de Luís Inácio. Que diga, o ex-secretário de esportes, Márcio Jardim (PT) que não conseguiu viabilizar sua candidatura ao senado. Flávio Dino (PCdoB) tenta levar consigo o partido de Lula, mas de outro lado os Sarneys torcem para, pelo menos, a neutralidade petista nas eleições no Maranhão. Assim fica o dito pelo não dito.

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