Política · ECONOMIA

Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22)

A avaliação de especialistas é que os primeiros reflexos atingirão as empresas mais dependentes do mercado norte-americano

Presidente norte-americano, Donald Trump (Foto: Creative Commons)
Presidente norte-americano, Donald Trump (Foto: Creative Commons)

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros passa a valer nesta quarta-feira (22), mas os impactos sobre a economia devem ser sentidos de forma gradual. 

A avaliação de especialistas é que os primeiros reflexos atingirão as empresas mais dependentes do mercado norte-americano, com redução de pedidos, renegociação de contratos e pressão sobre as margens. Os efeitos sobre produção, emprego e comércio exterior tendem a ficar mais evidentes nos próximos meses.

Para Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital, o maior risco não está no início da cobrança da tarifa, mas na possibilidade de ainda mais tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, os efeitos mais relevantes ainda devem surgir nas próximas semanas.

“O maior risco não é a entrada em vigor da tarifa, mas uma possível escalada, com novas medidas ou retaliações”, afirma.

Segundo Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, os primeiros impactos devem aparecer diretamente nas empresas exportadoras, antes mesmo de serem refletidos nos indicadores econômicos. “O impacto surge primeiro na carteira de pedidos e no capital de giro das empresas dos setores atingidos”, diz.

Trabalho forçado

Além da sobretaxa que entra em vigor hoje, o Brasil ainda aguarda o desfecho de outra frente de pressão comercial dos Estados Unidos. Até sexta-feira (24), o governo norte-americano deve anunciar o resultado da investigação sobre supostas práticas de trabalho forçado no país.

Caso sejam impostas novas sanções, uma tarifa adicional de 12,5% poderá incidir sobre produtos brasileiros, elevando a sobretaxa total para até 37,5% em alguns setores e ampliando a pressão sobre as exportações nacionais.

Nesse cenário, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, avalia que a vigência da tarifa inaugura uma nova fase para as empresas brasileiras que exportam aos Estados Unidos. Segundo ele, os impactos tendem a se intensificar à medida que contratos forem renegociados e as companhias ajustarem suas operações, com possíveis reflexos sobre produção, investimentos e emprego.

“O risco mais relevante não começa nem termina hoje. A entrada em vigor da tarifa inaugura uma fase de reavaliação de contratos, limites de crédito e estruturas de garantia. Uma eventual escalada para 37,5%, acompanhada de reciprocidade brasileira, ampliaria a incerteza regulatória e poderia exigir revisões mais profundas nas operações”, afirma.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, os efeitos indiretos da medida ainda são subestimados. Na avaliação dele, a redução das encomendas, do faturamento e da oferta de crédito às empresas exportadoras deve anteceder os impactos sobre a atividade econômica e a balança comercial.

“O maior risco não começa com a entrada em vigor da tarifa, mas com uma eventual escalada das tensões comerciais nas próximas semanas, que ampliaria a incerteza, reduziria investimentos e elevaria os impactos sobre os setores mais dependentes do mercado norte-americano”, ressalta.

* Fonte: Correio Braziliense

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