Meio Ambiente · aves

Maranhão é convocado para mutirão internacional de contagem da arara-azul em agosto

O Maranhão é rota histórica da espécie, mas que não enviou dados na edição anterior

Está chegando a maior contagem simultânea de araras-azuis na natureza (Foto: Divulgação)
Está chegando a maior contagem simultânea de araras-azuis na natureza (Foto: Divulgação)

Nos dias 1 e 2 de agosto de 2026, o Instituto Arara Azul promove o 2º Big Day das Araras-Azuis, a maior contagem simultânea da espécie na natureza. A mobilização internacional de ciência cidadã convoca moradores das áreas de ocorrência da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) no Brasil, Bolívia e Paraguai para registrar a presença da ave. Este ano, os organizadores fazem um apelo especial à população do Maranhão, estado que é rota histórica da espécie, mas que não enviou dados na edição anterior.

Inspirado no tradicional Global Big Day — evento mundial de observação de aves —, o monitoramento foca na arara-azul-grande, símbolo da biodiversidade brasileira e espécie ameaçada de extinção. Para o sucesso da iniciativa, cientistas reforçam que a participação de comunidades locais, trabalhadores rurais e moradores de áreas isoladas é fundamental.

(Foto: Divulgação)

O desafio do Maranhão e a importância do “registro zero”

Na primeira edição do Big Day, realizada em 2025, o Mato Grosso do Sul liderou o mapeamento com 409 araras registradas, seguido pelo Pará, com 335 indivíduos. No entanto, o Maranhão, junto a Tocantins, Piauí e Bahia, não obteve nenhum registro oficial enviado pela população, apesar de os pesquisadores saberem que a espécie habita essas regiões.

A médica-veterinária e coordenadora de campo do Projeto Arara Azul na Caiman, Maria Eduarda Monteiro, explica que a ausência de dados do Maranhão precisa ser revertida para que os cientistas compreendam a real situação da espécie.

“Para a ciência, não apenas os registros das araras são valiosos. Em locais onde houve esforço de observação, mas nenhuma arara foi avistada, essa informação também é extremamente importante. A ausência de registros nos ajuda a identificar possíveis mudanças na distribuição da espécie e a apontar áreas que precisam de maior atenção”, destaca a veterinária.

Mobilização no campo

A presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, a bióloga Neiva Guedes, reforça que qualquer pessoa munida de um celular pode colaborar, especialmente quem vive no dia a dia do campo.

Pesquisadora Neiva Guedes do Instituto Arara azul desenvolvendo seu trabalho de pesquisa com a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) no Pantanal (FOTO: JOAO MARCOS ROSA/NITRO)

“Quem mais esperamos que participe este ano são as pessoas que moram nas propriedades, nas fazendas de ocorrência das araras-azuis. Seja o peão, o fazendeiro, o gerente ou a dona de casa. Onde elas ocorrem, as pessoas sabem que elas estão lá, e é dessas pessoas que nós esperamos o resultado do Big Day deste ano”, afirma Neiva.

A coleta de dados ajudará a atualizar o mapa de distribuição geográfica das araras-azuis, identificando se houve migração de populações devido a mudanças climáticas ou degradação ambiental.

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