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Defensoria Pública do Maranhão garante documentos e promove reencontro familiar após 43 anos

Mulher de 55 anos recuperou a Certidão de Nascimento, emitiu a primeira carteira de identidade e reencontrou os irmãos após décadas sem contato

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

A atuação da Defensoria Pública do Maranhão (DPE/MA) devolveu a cidadania e possibilitou o reencontro familiar de Ana Cristina Galiano, de 55 anos, que passou mais de quatro décadas sem documentos e sem contato com os parentes. Após um trabalho de busca e articulação institucional, ela conseguiu recuperar a Certidão de Nascimento, emitir sua primeira Carteira de Identidade e restabelecer os laços com a família.

Natural do povoado Conceição, em Araioses, Ana Cristina deixou a cidade ainda criança para morar em São Luís, com a promessa de estudar e ter melhores oportunidades. No entanto, a distância da família aumentou com o passar dos anos e a comunicação, que já era limitada na época, acabou sendo interrompida por completo.

A situação se agravou quando uma enchente destruiu a casa onde ela morava e levou sua única Certidão de Nascimento. Sem o documento, Ana não conseguiu dar continuidade aos estudos e passou a enfrentar dificuldades para acessar serviços públicos e exercer direitos básicos.

Durante anos, ela tentou obter uma nova via do registro civil, mas não conseguiu. Foi somente ao procurar a Defensoria Pública que o caso passou a ser tratado de forma mais ampla, envolvendo não apenas a recuperação da documentação, mas também a localização de seus familiares.

Busca pela família

Sem documentos recentes e com poucas informações sobre os parentes, equipes dos Núcleos de Família, Registros Públicos e Psicossocial da DPE/MA iniciaram uma investigação utilizando bancos de dados e cruzamento de informações. O trabalho contou ainda com o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social de Araioses.

A busca levou até Raimundo Nonato Galiano, irmão de Ana Cristina, localizado no povoado Conceição. A partir desse contato, outros cinco irmãos também foram identificados, permitindo a reunião de documentos e informações que subsidiaram o processo judicial para a emissão do registro civil.

Segundo a assistente social Floripes Pinto, o caso exigiu meses de trabalho e sensibilização da família. “Não estamos falando de 43 dias, mas de 43 anos sem documentos e sem qualquer contato com os familiares”, destacou.

Nova documentação e recomeço

Após cerca de nove meses de trabalho, coordenado pela defensora pública Ádia Ataíde, Ana Cristina recebeu sua nova Certidão de Nascimento. Em seguida, também emitiu a primeira Carteira de Identidade de sua vida, por meio do posto do Instituto de Identificação do Maranhão (Ident-MA) instalado na sede da Defensoria.

Com os documentos em mãos, ela passou a ter acesso a serviços de saúde, benefícios e demais direitos garantidos aos cidadãos. Além disso, recebeu a notícia de que poderia reencontrar a família, encerrando uma espera de 43 anos.

Para a defensora Ádia Ataíde, a atuação da instituição vai além da assistência jurídica. “Garantir o acesso à Justiça também significa reconhecer a história e a dignidade das pessoas. No caso de Ana Cristina, esse trabalho representou a reconstrução de sua identidade e o reencontro com suas origens”, afirmou.

Emocionada, Ana Cristina resumiu o momento com uma frase que simboliza sua nova etapa de vida: “Eu nasci de novo. Agora eu realmente existo”.