Iniciado no último dia 20 de junho, o festejo de São Pedro, realizado em sua capela, na Avenida Vitorino Freire, no bairro Madre Deus (Centro), entra na reta final, chegando ao seu ponto alto no próximo dia 29, com a grande concentração dos cordões de bumba meu boi no Largo de São Pedro, além das procissões marítima e terrestre e da missa campal.
Nos dias que antecederam a data dedicada ao santo, ocorreram novenas com o ofício religioso e o terço rezado, com a participação de fiéis da comunidade e convidados. Para o dia 28 de junho, véspera da celebração de São Pedro, está programada a Procissão da Luz, com saída às 18h da Igreja de São Pantaleão, sede da paróquia, seguida de missa solene após a chegada à Capela de São Pedro, com a participação da comunidade, de moradores de outros bairros e de turistas, informou Kauana Veloso, coordenadora da Comissão Organizadora dos Festejos.
O festejo mobiliza milhares de fiéis, brincantes e visitantes em torno da devoção ao santo considerado padroeiro dos pescadores. A celebração tem raízes históricas na formação do bairro da Madre Deus, tradicional reduto de comunidades pesqueiras da capital.
A relação entre religiosidade e cultura popular é um dos pilares do festejo. Desde a década de 1940, a Capela de São Pedro tornou-se ponto de encontro dos grupos de bumba meu boi, que encerram simbolicamente o ciclo junino em agradecimento pelas bênçãos recebidas ao longo da temporada.
“Com uma comunidade composta, basicamente, por pescadores, católicos e folcloristas, parecia que só faltava materializar esse sentimento pelo seu santo padroeiro (São Pedro), que redundaria em festa, no futuro, um evento tradicional, o auge do ciclo junino em São Luís, com a participação apoteótica de bois de todos os sotaques. Precisavam de um templo para o seu protetor, num altar, e o levantaram numa humilde igrejinha de taipa, coberta de palha, onde faziam suas preces. Foi assim que nasceu a Festa de São Pedro Santo, conforme me contou, em uma reunião na capela, na tarde/noite de 27 de junho de 2007, o pescador aposentado José Raimundo Carvalho, o popular Zé de Zuleide, aos 103 anos, único fundador remanescente e ainda lúcido para contar essa história”, relatou o jornalista Herbert de Jesus Santos sobre a origem da festa e como ela se tornou uma tradição.
Essas e outras histórias estão reunidas no livro “Pedro Santo – Livro da Festa de São Pedro, na Madre de Deus”, de autoria de Herbert de Jesus Santos, que será lançado durante a festa.
A paixão pela festa
Segundo Kauana Veloso, os festejos de São Pedro contam com o apoio do Governo do Estado e, todas as noites, vêm acontecendo apresentações de brincadeiras juninas no Largo de São Pedro, após a missa.
Para ela, que cresceu no meio desse movimento, o festejo é muito especial.
“Eu sou apaixonada pela festa de São Pedro. Nasci e cresci na Madre Deus. Minha família sempre participou e, para mim, vai muito além do trabalho, do cansaço e das preocupações para que tudo dê certo. Quando chega esse período, é maravilhoso, é lindo. Meu coração se enche de alegria por fazer parte dessa organização. Somos apenas instrumentos de Deus para organizar uma festa tão grandiosa como é a Festa de São Pedro”, disse Kauana.
O amanhecer na Capela
O ponto alto da programação ocorre na madrugada do dia 28 para o dia 29 de junho, quando milhares de brincantes e devotos participam do tradicional “amanhecer na Capela”. Após as apresentações nos arraiais da cidade, os grupos seguem para o local em um encontro marcado pela diversidade de sotaques do bumba meu boi, reunindo fé, música e emoção.
Antes disso, no dia 28 de junho, a programação religiosa inclui a Procissão da Luz, que sai às 18h da Igreja de São Pantaleão em direção à Capela de São Pedro, onde será celebrada missa às 19h. Em seguida, a igreja se prepara para receber os grupos culturais durante toda a madrugada. São retirados cadeiras, bancos e outros móveis, permanecendo apenas o altar de São Pedro, que fica sob constante vigilância de seguranças até o encerramento dos festejos.
É um momento de agradecimento pela temporada junina e de pedido de bênçãos para a próxima. A ladeira e a escadaria da Capela de São Pedro tornam-se ponto de encontro dos diversos sotaques do bumba meu boi, reunindo batalhões da Baixada, de Zabumba e de Matraca, com suas toadas e batidas características.
No dia 29, as atividades continuam com a tradicional procissão marítima. Às 15h, a imagem de São Pedro segue até a Rampa Campos Melo, na Beira-Mar, de onde parte, às 16h30, a procissão pelas águas da Baía de São Marcos e dos rios Anil e Bacanga, levando o andor com a imagem do santo, seguido por outras embarcações conduzindo os fiéis. O retorno ao ponto de origem está previsto para as 17h30, quando a procissão terrestre seguirá da Rampa Campos Melo em direção ao Palácio dos Leões e à Igreja da Sé, na Praça Pedro II. De lá, percorrerá a Rua do Egito, atravessará a Praça João do Carmo, descerá a Avenida Magalhães de Almeida e seguirá pela Rua das Cajazeiras até a Rua do Passeio e Praça da Saudade, passando pela Avenida Ribamar Pinheiro (Beco do Gavião), Avenida Ruy Barbosa (Largo do Caroçudo), Rua Múcio Teixeira e Avenida Vitorino Freire, retornando à Capela de São Pedro, onde será celebrada a missa campal de encerramento da programação religiosa.
Paralelamente aos ritos religiosos, grupos de bumba meu boi percorrem o Largo de São Pedro durante toda a programação, reforçando a identidade cultural maranhense.
À noite, a programação cultural seguirá no palco montado pelo Governo do Estado, quando a comunidade será agraciada com uma surpresa, mantida em absoluto segredo pela coordenadora Kauana Veloso.