A cidade de São Pedro da Água Branca, no sul do Maranhão, será a primeira a receber o projeto “Linhas de Identidade”, iniciativa inédita que percorrerá municípios maranhenses e paraenses promovendo oficinas gratuitas de arte urbana e a criação de murais coletivos inspirados nas histórias, memórias e tradições de cada comunidade. As inscrições para as atividades serão abertas no dia 8 de junho, em formato online.
Idealizado pelo muralista Bino Sousa, natural de Santa Inês (MA) e residente em Marabá (PA), o projeto busca aproximar artistas, estudantes e moradores por meio de ações que valorizam a identidade cultural dos territórios. Com mais de duas décadas de atuação, o artista é reconhecido por transformar espaços públicos em galerias a céu aberto, utilizando o muralismo como ferramenta de expressão e pertencimento.
Segundo Bino Sousa, a proposta é construir os murais a partir das vivências e narrativas dos próprios moradores.
“A ideia é conhecer a cidade pela voz das pessoas que vivem nela. Entender quem são os artistas, os professores, os fazedores de cultura e os jovens que podem construir isso junto com a gente”, destaca.
Além da produção artística, o projeto pretende ampliar oportunidades para criadores que atuam fora dos grandes centros urbanos, incentivando a formação cultural e fortalecendo talentos locais.
“Existem muitos artistas nesses municípios que já produzem arte, mas nem sempre têm acesso a formação ou incentivo. Queremos identificar esses talentos, fortalecer quem já atua e construir os murais em parceria com eles”, afirma o muralista.
Depois de passar por São Pedro da Água Branca, o “Linhas de Identidade” seguirá para Miranda do Norte, no Maranhão, e para as cidades de Marabá e Parauapebas, no Pará.
Mural coletivo e formação artística
A programação inclui oficinas gratuitas de aquarela e grafite, rodas de conversa e a criação de um mural urbano coletivo inspirado na cultura e no cotidiano da cidade. A obra será desenvolvida em conjunto com artistas locais e permanecerá como legado do projeto para a comunidade.
Os participantes das oficinas de grafite poderão concorrer a vagas na equipe responsável pela produção do mural. Os selecionados atuarão ao lado de Bino Sousa e receberão remuneração pela participação.
Com experiência de mais de dez anos como professor de desenho e formação artística, o muralista também conduzirá atividades educativas voltadas ao desenvolvimento técnico dos participantes.
As oficinas de aquarela serão realizadas em escolas públicas do município, direcionadas a crianças e jovens estudantes. Já as oficinas de grafite serão abertas a artistas locais, pintores e interessados em arte urbana, combinando teoria, prática e processos de criação coletiva.
Durante as atividades, os participantes terão contato com técnicas de pintura, composição visual e recursos utilizados no muralismo contemporâneo, como projeção, grid e tecnologias aplicadas à produção artística.
O projeto é realizado pela Pasquinia Cultural, em parceria com o Ministério da Cultura e o Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio master da Vale. A iniciativa busca ampliar o acesso à arte e incentivar a produção cultural em diferentes regiões da Amazônia Legal.