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Pesquisa revela desafios comuns para obter salário e estabilidade no Brasil

Levantamento aponta que o modelo formal de contratação supera o desejo pelo trabalho remoto ou jornada reduzida no planejamento de carreira

Segundo dados da Previdência Social, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, o maior número da série histórica - (crédito: Diana Raeder/Esp. CB/D.A Press)
Segundo dados da Previdência Social, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, o maior número da série histórica - (crédito: Diana Raeder/Esp. CB/D.A Press)

A busca por remuneração elevada, estabilidade financeira e perspectivas reais de crescimento profissional continua sendo o principal norte dos trabalhadores brasileiros ao planejarem suas carreiras para os próximos cinco anos. De acordo com os dados da 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional, divulgada nesta sexta-feira (5) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), as aspirações tradicionais do mercado superaram tendências modernas do ambiente corporativo, como o regime de teletrabalho ou a redução da jornada de trabalho.

O levantamento estatístico revela que o salário desponta como o principal diferencial da ocupação desejada para 28,7% dos entrevistados. A estabilidade no emprego aparece logo em seguida, sendo apontada por 22,4% dos participantes, enquanto a perspectiva de ascensão profissional foi mencionada por 20,1% das pessoas ouvidas. Em contrapartida, a preferência pelo trabalho puramente remoto foi citada por apenas 15,9% dos respondentes, e a flexibilização para uma jornada reduzida atraiu o interesse de somente 9,8% do público.

Atratividade do emprego formal e da CLT

Na avaliação de Cláudia Perdigão, especialista técnica da CNI, os resultados da amostragem evidenciam uma forte valorização das estruturas que compõem o emprego formal no país. Segundo a analista, essa configuração tradicional de contratação permanece como a primeira opção do cidadão, fazendo com que o mercado mire a segurança jurídica das relações formais de trabalho em médio e longo prazo.

O estudo estatístico reforça essa tese ao apontar que o emprego com carteira assinada, sob as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é o modelo considerado mais atrativo para 36,3% daqueles que buscam uma colocação profissional. Essa preferência ganha ainda mais força quando recortada a faixa etária dos jovens adultos, atingindo o patamar de 41,4% entre os trabalhadores que possuem de 25 a 34 anos de idade.

Insegurança tecnológica

Apesar de a pesquisa registrar um índice expressivo de 95% de satisfação dos entrevistados em relação aos seus empregos atuais, as projeções para o futuro são encaradas com cautela e trazem sinais de alerta. Aproximadamente 42,7% dos brasileiros responderam que não sabem precisar em qual ocupação ou cargo estarão inseridos daqui a cinco anos. Essa sensação de insegurança profissional é nitidamente maior entre os trabalhadores de faixas etárias mais avançadas e está diretamente associada ao ritmo acelerado das transformações digitais no ecossistema produtivo.

O relatório técnico identifica um gargalo estrutural no que diz respeito à qualificação profissional do país, constatando que menos da metade da população consultada afirma dominar habilidades digitais de complexidade moderada ou alta, tais como o manuseio de ferramentas de inteligência artificial ou a edição de planilhas de dados avançadas. Esse panorama cria um cenário duplo na economia brasileira: o trabalhador sente-se confortável no cargo que ocupa hoje, mas manifesta o temor de não conseguir acompanhar as exigências técnicas que o mercado de amanhã passará a cobrar.

Entraves práticos e o desejo pelo empreendedorismo

Para a parcela da população que consegue visualizar e traçar um objetivo profissional claro para o futuro, os principais obstáculos listados para alcançar essas metas são de ordem externa e prática. A falta de vagas de trabalho que ofereçam boas condições gerais lidera as queixas com 22%, seguida de perto pela escassez de experiência prática no ramo, com 17,6%. A ausência de cursos de formação e capacitação técnica na região de moradia foi apontada por 16,9% dos entrevistados, enquanto a necessidade diária de dedicação para o cuidado de familiares idosos ou crianças responde por 16,1% dos impedimentos.

Por fim, o estudo da CNI indica que o desejo de se tornar o próprio patrão e abrir uma empresa é uma realidade para 13,9% dos brasileiros. O foco dessa parcela que anseia empreender está concentrado em ramos de negócios considerados tradicionais da economia nacional, como o comércio varejista, a abertura de salões de beleza e clínicas de estética, e a gestão de restaurantes e lanchonetes.

A coleta de dados para a pesquisa foi realizada pela Nexus, que ouviu presencialmente e por telefone 2.008 pessoas com idade acima de 16 anos. A amostragem foi distribuída por todos os estados brasileiros e pelo Distrito Federal, ocorrendo entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025, apresentando uma margem de erro estimada em dois pontos percentuais para mais ou para menos.