Política · tabuleiro

Nova operação da PF e condenação recente ampliam desgaste de Josimar Maranhãozinho para as eleições

Alvo da Operação Afluente da Polícia Federal, Josimar Maranhãozinho volta ao centro das investigações, enquanto aliados e adversários reavaliam estratégias para disputa

PF afirma que nova operação contra Josimar Maranhãozinho aprofunda investigação de desvio de emendas parlamentares no Maranhão. (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados/arquivo)
PF afirma que nova operação contra Josimar Maranhãozinho aprofunda investigação de desvio de emendas parlamentares no Maranhão. (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados/arquivo)

A deflagração da Operação Afluente pela Polícia Federal (PF), na manhã de quinta-feira (25), colocou novamente o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA) no centro de uma investigação sobre supostos desvios de recursos públicos provenientes do antigo modelo de emendas parlamentares conhecido como “orçamento secreto”. A ofensiva ocorre em um momento decisivo para as articulações das eleições de 2026 e pode alterar o equilíbrio político no Maranhão, onde o parlamentar exerce influência sobre dezenas de prefeitos e lideranças municipais.

Autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, a operação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Maranhão, Distrito Federal e Goiás, incluindo a residência oficial do parlamentar em Brasília. O objetivo da Polícia Federal é aprofundar a investigação sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo o direcionamento de emendas parlamentares, fraudes em licitações, superfaturamento de obras públicas e lavagem de dinheiro.

A nova ofensiva ocorre apenas três meses depois de Josimar Maranhãozinho ter sido condenado pela Primeira Turma do STF a seis anos e cinco meses de prisão, em regime semiaberto, pelos crimes de corrupção passiva, em um processo distinto relacionado à cobrança de R$ 1,6 milhão em propina do então prefeito de São José de Ribamar. Embora a decisão ainda não tenha transitado em julgado, o parlamentar permanece licenciado do mandato enquanto tenta reverter a condenação por meio de recursos apresentados à Suprema Corte.

A coincidência entre a condenação recente e a nova operação da PF amplia significativamente o desgaste político do deputado, sobretudo porque ele continua sendo um dos principais responsáveis pela estratégia eleitoral do Partido Liberal (PL) no Maranhão. Mesmo afastado da atividade parlamentar, Josimar preserva forte influência sobre prefeitos, vereadores e lideranças municipais espalhadas pelo estado, formando uma das maiores redes de apoio político do interior maranhense.

Segundo a Polícia Federal, o núcleo investigado teria estruturado um sofisticado mecanismo para desviar recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares.

As investigações apontam que os recursos eram inicialmente destinados à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal responsável pela execução de diversas obras de infraestrutura. A partir daí, operadores ligados ao grupo político investigado passariam a exigir dos prefeitos beneficiados uma contrapartida financeira correspondente a 25% do valor das emendas para que os recursos fossem efetivamente liberados.

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