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Exposição “Exuberantes Cazumbas” une misticismo, arte contemporânea e resistência cultural no MHAM

A exposição ficará em cartaz no período de 15 de junho a 14 de agosto de 2026, na Galeria Floriano Teixeira, localizada no Museu Histórico e Artístico do Maranhão

Exposição Exuberantes Cazumbas (Foto: Divulgação)
Exposição Exuberantes Cazumbas (Foto: Divulgação)

“Laroiê, peço licença aos Exuberantes Cazumbas para adentrar poeticamente seu mundo, universo mágico e encruzilhadas.” É com este chamado poético que o multiartista Tairo Lisboa convida o público a confabular sobre novos mundos possíveis na exposição “Exuberantes Cazumbas”.

Fruto de uma pesquisa artística híbrida, a exposição oferece um mergulho no universo místico do Cazumba, o brincante enigmático do Bumba meu Boi do Maranhão.

A exposição ficará em cartaz no período de 15 de junho a 14 de agosto de 2026, na Galeria Floriano Teixeira, localizada no Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM), na Rua do Sol, nº 302, no Centro Histórico de São Luís. O grande evento de abertura acontecerá no dia 15 de junho (uma segunda-feira), das 15h às 19h, com a apresentação do Bumba meu Boi da Floresta do Mestre Apolônio às 19h. Após a estreia, a visitação pública poderá ser realizada gratuitamente de terça a sexta-feira, das 14h00 às 17h30.

Exu e as encruzilhadas

O título “Exuberantes” nasce de uma analogia poética proposta pelo artista: assim como o orixá Exu é responsável por iniciar as atividades ritualísticas e abrir os caminhos nas religiões de matriz afro-brasileira, o Cazumba tem a função de chegar na frente. Com seu chocalho e um gingado característico que balança os quadris, ele abre o terreiro para a passagem do Boi.

Ebó artístico

Fugindo de estigmas puramente folclóricos, a exposição funciona como uma “Zona Autônoma Temporária da Arte”. Em vez de obras meramente explicativas, o público encontrará um ambiente imersivo, reflexivo e interativo, construído por meio de:

  • Fotografias documentais e experimentais;
  • Videoarte e paisagens sonoras;
  • Desenhos, esculturas e performances;
  • Medidas integradas de acessibilidade.

O convite de Tairo Lisboa termina com o questionamento: “Se muitas vezes ouvimos falar que o Cazumba não é gente nem bicho, então o que ele é?”

O recorte curatorial é compartilhado e pensado para fomentar o pensamento crítico. A programação contará com rodas de conversa envolvendo Mestres e Mestras da cultura popular para debater caminhos contracoloniais e antirracistas.

A mostra celebra a resistência dos saberes afro-indígenas maranhenses e reverencia os territórios quilombolas, expressando um agradecimento especial aos ensinamentos recebidos do Boi da Floresta (Quilombo Urbano Liberdade) e de diversos outros grupos de Bumba meu Boi.

Tairo Lisboa

Tairo Lisboa é artista multimídia, com trabalhos no segmento da poesia, fotografia, performance e cinema, residente em São Luís (MA), com atuação artística que abrange todo o estado do Maranhão. Sua pesquisa e vivência artística são uma tecitura poética e lúdica entre a cultura popular e o universo onírico, e sua produção é sempre oferecida gratuitamente ao público. É diretor de alguns documentários, dentre eles o premiado “Xiri Meu” (2014), que retrata a sambista maranhense Patativa, e “Nambuaçu – Promessas são Promessas” (2019).

Foto: Divulgação

No campo das artes visuais, idealizou a exposição para crianças “Ikiru Erê Ubuntu”, apresentada em Pindaré-Mirim (MA) e São Luís (MA) em 2022, e a exposição fotográfica “Retratos de Pai Francisco”, realizada na Biblioteca Pública Benedito Leite em 2024. Organiza esporadicamente o sarau “Garrafa Pet Não Serve Para Coquetel Molotov” e também a performance “Poesias Efêmeras”. Concomitantemente, ele é brincante da cultura popular maranhense, atuando como Cazumba, Fofão e Catirina.

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