A taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos no Brasil registrou queda, atingindo 13,8% no primeiro trimestre de 2026. O índice representa cerca de metade do patamar observado no auge da crise sanitária da Covid-19. Além disso, o contingente de jovens ocupados alcançou a marca de 13,9 milhões, superando os níveis registrados no período anterior à pandemia.
Os dados constam no estudo “Os jovens no Brasil: permanências e necessidades de mudança”, realizado pela Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (Seet) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), sob encomenda do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), e apresentado em São Paulo.
Apesar do avanço no volume de contratações, o levantamento indica uma mudança no perfil dos desafios enfrentados pela juventude no mercado de trabalho. O foco principal deslocou-se da obtenção de uma vaga para a permanência no emprego, a evolução profissional e a conquista de rendimentos mais elevados.
Representantes do CIEE avaliam que o momento atual reflete uma melhora predominantemente quantitativa, uma vez que as funções operacionais e administrativas mais comuns oferecem poucas perspectivas de crescimento, remuneração reduzida e vulnerabilidade a processos futuros de automação.
Por outro lado, a área de estatísticas do Ministério do Trabalho pondera que as novas tecnologias e a inteligência artificial tendem a absorver tarefas repetitivas em vez de extinguir ocupações completas, demandando dos jovens competências socioemocionais, de relacionamento interpessoal e de resolução de problemas.
O tempo de permanência no emprego também se mostrou reduzido, com 52% dos adolescentes e 38,2% dos jovens de 18 a 24 anos ficando menos de um ano na mesma vaga. Fatores como baixos salários, falta de qualificação e o conflito de horários com os estudos são apontados como as principais causas para esse fluxo contínuo.
A análise governamental acrescenta que esse indicador difere da rotatividade adulta tradicional, pois muitos jovens buscam vínculos temporários por questões de renda complementar ou conciliação com a trajetória escolar.
O perfil de remuneração revela que a maioria expressiva recebe até um salário mínimo e meio, mesmo cumprindo jornadas semanais médias de 38,6 horas, patamar próximo ao dos trabalhadores adultos. Essa configuração de baixa renda com alta carga horária impulsiona parte desse público a buscar alternativas no mercado informal e em plataformas digitais.
A pesquisa revelou ainda que a atual geração de jovens apresenta maior nível de escolaridade, com 73% possuindo ao menos o ensino médio concluído e 2,3 milhões cursando o ensino superior. Contudo, a vasta maioria dos trabalhadores dessa faixa etária atua em ocupações generalistas que não exigem formação técnica.
O estudo também fez um alerta social para a existência de 6,2 milhões de jovens que não estudam e não trabalham, grupo composto majoritariamente por mulheres e impactado por desigualdades de acesso ao ensino e ao emprego.
Como medida de enfrentamento, o Ministério do Trabalho defende a expansão dos programas de aprendizagem profissional, que atualmente atendem 708 mil pessoas, como ferramenta para aliar o aprendizado teórico à prática protegida e garantir a permanência do jovem no sistema educacional.