O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) divulgou, no dia 11 de junho, o Relatório Final sobre o infortúnio espacial envolvendo o foguete HANBIT-Nano. O incidente ocorreu em 23 de dezembro de 2025, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
Esta divulgação é um marco histórico para o Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes em Atividades Espaciais (SIPAE): trata-se da primeira investigação de uma ocorrência espacial concluída e publicada pelo CENIPA desde que o órgão foi designado como o centro regulador do sistema.
“Mais do que compreender uma ocorrência específica, buscamos produzir conhecimento e aperfeiçoar processos que contribuam para a prevenção de eventos semelhantes e para o desenvolvimento seguro das atividades espaciais no Brasil.” — Brigadeiro do Ar Alexandre Avellar Leal, Chefe do CENIPA.
Resultados e cooperação internacional
Os resultados foram apresentados em Brasília (DF) pelo investigador-encarregado do caso, o Coronel Aviador Alexander Coelho Simão, para autoridades civis, militares e especialistas do setor.
Com o propósito de identificar os fatores contribuintes e sugerir melhorias para a Segurança Operacional Espacial, a investigação contou com o apoio de representantes da Innospace e da Korea AeroSpace Administration (KASA) — agência espacial da República da Coreia responsável pelo projeto e fabricação do foguete. Essa parceria evidenciou a importância da cooperação internacional na análise técnica de dados complexos.
Investigação
O lançamento apresentou comportamento normal nos instantes iniciais do voo, até que uma falha técnica resultou na perda e destruição do veículo lançador. Não houve registro de feridos. Os danos materiais ficaram estritamente restritos à área de segurança prevista para a operação.
O processo permitiu a emissão de Recomendações de Segurança focadas no aprimoramento das operações espaciais e consolidou a capacidade do Brasil de conduzir investigações espaciais com metodologia própria, pautada pela independência e imparcialidade.
SIPAE
Instituído pela Lei nº 14.946 em 2024, o SIPAE atribuiu ao Comando da Aeronáutica (COMAER), em coordenação com a Agência Espacial Brasileira (AEB), a responsabilidade por investigar ocorrências espaciais em território nacional. O CENIPA atua como o Órgão Central dessa estrutura.
A criação do sistema posiciona o Brasil na vanguarda global da segurança aeroespacial (Safety), seguindo uma tendência internacional restrita a poucos países, como o Reino Unido — que adotou modelo semelhante em 2021 via Air Accidents Investigation Branch (AAIB).
Assim como na aviação tradicional, os trabalhos do SIPAE possuem caráter exclusivamente preventivo. O foco central é compreender os fatores que levaram ao incidente e emitir diretrizes que mitiguem riscos em lançamentos futuros, garantindo um crescimento sustentável para o setor espacial brasileiro.
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