Beleza e Bem-Estar · o poder das mulheres

Beleza, cabelos naturais e empreendedorismo feminino

O Maranhão registrou um aumento considerável no número de empresas lideradas por mulheres: de 118.360 em 2024 para 145.367 em 2026

O setor da beleza representa alta no empreendedorismo feminino (Fotos: @alynequefez)
O setor da beleza representa alta no empreendedorismo feminino (Fotos: @alynequefez)

De acordo com dados do Sebrae, o Maranhão registrou um aumento considerável no número de empresas lideradas por mulheres: de 118.360 em 2024 para 145.367 em 2026 — um crescimento acumulado de quase 23% no período. Estes números representam não apenas uma mudança no cenário do empreendedorismo, mas também um olhar mais apurado para novos nichos, como o setor da beleza.

Alyne Braga, de 29 anos, é uma destas mulheres que viu no ramo da beleza a oportunidade de oferecer um atendimento diferenciado, visando não apenas a beleza, mas também a autoestima e o bem-estar.

Alyne Braga, de 29 anos, é uma destas mulheres que viu no ramo da beleza a oportunidade de oferecer um atendimento diferenciado (Foto: @alynequefez)

Proprietária do salão Alyne que fez, localizado em São Luís e especializado em cabelos afro, a empreendedora conta que ideia de abrir um salão especializado em cabelos naturais surgiu da observação das necessidades específicas desse público.

“Após anos utilizando meu cabelo natural, percebi, em experiências anteriores, as diferenças significativas nos cuidados oferecidos a esse tipo de cabelo. Muitas pessoas com cabelos naturais demonstravam insatisfação, falta de informação e dificuldade em cuidar adequadamente deles”, conta Alyne.

Após anos utilizando meu cabelo natural, percebi, em experiências anteriores, as diferenças significativas nos cuidados oferecidos a esse tipo de cabelo

Jornada como empreendedora

O início da jornada empreendedora de Alyne, teve como maior a questão financeira. “As despesas iniciais para abrir e manter o negócio são significativas, e a comparação com salões já estabelecidos pode ser desanimadora. No entanto, percebi que não desejava replicar certos aspectos da estética dos salões maiores”.

Nos primeiros anos, o Alyne que fez atendia apenas uma cliente por dia. Mas mesmo nessas situações, era preciso manter a dedicação, criar conteúdo e investir em divulgação, tudo com foco no longo prazo. “A necessidade de arcar com aluguel e outras despesas, mesmo com poucos atendimentos, era um desafio constante. Sobreviver a esses momentos exigiu muita resiliência e criatividade para lidar com as dificuldades financeiras”, explica a jovem empreendedora.

Arte em forma de trabalho

Para Alyne a principal missão do seu negócio vai além do serviço de beleza. Ela enxerga seu trabalho como uma forma de arte, utilizando os fios de cabelo como matéria-prima.

“Meu objetivo transcende a questão financeira, buscando criar uma experiência que promova a paz e a satisfação pessoal das clientes. Ao entender suas necessidades e expectativas, busco transformar seus cabelos, realçando sua beleza e individualidade. A escuta ativa e a personalização do atendimento são fundamentais nesse processo, que considero uma missão pessoal”.

O mercado de transição capilar

O mercado de transição capilar e valorização do cabelo natural tem crescido significativamente nos últimos anos.

Foto: @alynequefez

Alyne observa que, “apesar desse crescimento, ainda há pessoas que não se relacionam de forma positiva com seus cabelos. Acompanho de perto a jornada de muitas clientes em transição capilar, e percebo a importância do acesso a produtos adequados. Antigamente, a falta de cosméticos específicos para cabelos naturais dificultava essa jornada”.

“Atualmente, com o desenvolvimento de novas tecnologias e a valorização da ancestralidade, as clientes se conectam com sua identidade e buscam se expressar de forma autêntica. Essa crescente abrange diversos aspectos, incluindo a autoestima e a representatividade”.

Histórias que emocionam

O “Alyne que fez” atrai clientes de diversas localidades, incluindo o interior e até mesmo do exterior, como a Austrália, por exemplo. A clientela é bastante diversificada e busca um atendimento especializado e personalizado.

Entre as várias histórias de autoestima e pertencimento, está a de uma jovem chamada Clara, que passou por um período de bullying intenso e não se reconhecia mesmo frequentando ambientes com muitas pessoas de cabelo natural. Durante a transição capilar e todo o processo de transformação, ela demonstrou muita emoção e hoje se sente confiante para mudar o visual, inclusive com mudanças de cor.

Atualmente, com o desenvolvimento de novas tecnologias e a valorização da ancestralidade, as clientes se conectam com sua identidade e buscam se expressar de forma autêntica

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