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Acusada de envenenar crianças com ovo de Páscoa vai a júri popular em Imperatriz

Julgamento de Jordélia Pereira Barbosa está marcado para o dia 22 de junho; crime motivado por vingança completou um ano

Acusada de envenenar crianças com ovo de Páscoa vai a júri popular em Imperatriz

Um dos casos criminais de maior repercussão no Maranhão nos últimos anos terá um novo desfecho neste mês. Jordélia Pereira Barbosa, acusada de envenenar um ovo de Páscoa que resultou na morte de duas crianças em Imperatriz, será submetida a júri popular no próximo dia 22 de junho. A ré responderá por duplo homicídio qualificado consumado e tentativa de homicídio.

A acusação em plenário será conduzida pelo promotor de Justiça Tiago Quintanilha, titular da 8ª Promotoria de Justiça Criminal de Imperatriz. O crime, ocorrido em abril de 2025, chocou a opinião pública nacional pela linha de planejamento e crueldade empregada na execução.

Dinâmica do crime e investigações

De acordo com os autos do processo do Ministério Público do Maranhão (MPMA), o doce foi enviado à residência da família acompanhado de um bilhete com mensagens afetivas falsas. Sem suspeitar de adulteração, Mirian Lira consumiu o chocolate junto com os filhos Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos.

Pouco após a ingestão, as três vítimas deram entrada em estado grave em uma unidade hospitalar com sintomas severos de intoxicação. O menino de 7 anos faleceu poucas horas depois de ser internado, enquanto a adolescente resistiu por cinco dias antes de vir a óbito. A mãe permaneceu em tratamento intensivo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde precisou ser intubada, e sobreviveu após semanas de hospitalização.

A investigação da Polícia Civil do Maranhão apontou que a motivação do crime foi ciúmes e vingança. A acusada, que residia em Santa Inês e trabalhava no ramo da estética, suspeitava de um envolvimento afetivo entre Mirian e seu ex-companheiro.

“As apurações demonstraram que a ré utilizou disfarces, como uma peruca, e identidades falsas para encomendar e despachar o produto via motoboy sem levantar suspeitas imediatas”, informou o relatório policial à época.

Provas periciais e andamento judicial

Jordélia Pereira Barbosa foi presa preventivamente em 17 de abril de 2025 e permanece detida no sistema prisional. Em sede de depoimento, a acusada confirmou que adquiriu e ordenou a entrega do chocolate para a residência das vítimas, mas alegou inocência quanto à manipulação de substâncias tóxicas.

Contudo, laudos periciais do Instituto de Criminalística (IC) constataram a presença de veneno no produto, nas amostras biológicas colhidas das vítimas e em materiais apreendidos nas propriedades da suspeita.

A decisão de pronúncia que determinou o envio do caso para o Tribunal do Júri foi assinada ainda no fim de 2025. A defesa da ré ingressou com recursos no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), contestando a tipificação penal e solicitando a anulação da pronúncia, o que suspendeu temporariamente o andamento do cronograma.

Com o esgotamento dos recursos e a manutenção da decisão de primeira instância pelas câmaras criminais, o Poder Judiciário fixou a data do julgamento para o final deste mês, onde o Conselho de Sentença, formado por cidadãos locais, decidirá pela condenação ou absolvição da ré.