Brasil · dia das mães

Maternidade solo é um compromisso

Na prática, milhares de mães acumulam sozinhas as muitas e grands responsabilidades principalmente as financeiras, emocionais e domésticas

Maternidade solo é um compromisso

Enquanto o Dia das Mães mobiliza homenagens e campanhas afetivas, uma realidade mais dura segue fora do centro das celebrações: a das mães solo. No Maranhão, o fenômeno tem ganhado dimensão expressiva e revela um cenário de desigualdade social e sobrecarga feminina.

Com base nos dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE, divulgados em 2024/2025, o Maranhão apresenta um cenário significativo de maternidade solo e chefia familiar feminina, sendo um dos estados brasileiros com maior proporção de lares chefiados por mulheres, atingindo 53% em 2022, um aumento expressivo em relação aos 38,7% registrados em 2010.

Muitas dessas mulheres chefes de família são mães solo, caracterizando famílias monoparentais, onde a mãe assume sozinha a responsabilidade pelos filhos.

A nível nacional, 84% das crianças são criadas principalmente pela mãe, e o Brasil tem mais de 11 milhões de mães solo. Paralelamente ao aumento da chefia feminina, o número médio de filhos por mulher no Maranhão caiu, chegando a 1,75 em 2022, abaixo do nível de reposição populacional (2,1).

Dados anteriores (Censo 2010) indicavam alta taxa de mães solos e, especificamente em São Luís, mulheres solteiras representavam cerca de 46% da população.

Liderança feminina

Segundo levantamento com base em programas sociais federais, mais de 80% das famílias beneficiadas no estado são chefiadas por mulheres, o que evidencia o protagonismo feminino na sustentação dos lares maranhenses. Na prática, isso significa que milhares de mães acumulam sozinhas as responsabilidades financeiras, emocionais e domésticas.

Esse cenário se intensifica em municípios como São Luís, que possui mais de 1 milhão de habitantes e enfrenta desafios estruturais no acesso a serviços básicos. A oferta limitada de creches públicas, por exemplo, ainda é um dos principais entraves para que mães solo consigam ingressar ou permanecer no mercado de trabalho formal.

“Sem ter com quem deixar meu filho, não consigo trabalhar fixo. Faço faxina quando aparece”, relata a vendedora informal Janaína Santos, 29 anos. Como ela, muitas mulheres acabam recorrendo à informalidade para garantir renda — o que implica instabilidade financeira e ausência de direitos trabalhistas.

A realidade também se conecta a dados demográficos preocupantes. O Maranhão ocupa posição de destaque em indicadores ligados à maternidade precoce. Em 2024, foram registrados 795 casos de mães com menos de 15 anos, colocando o estado entre os primeiros do país nesse ranking.

Para especialistas, esses números evidenciam um ciclo de vulnerabilidade. “Muitas dessas jovens acabam se tornando mães solo e têm dificuldades de retomar os estudos ou acessar oportunidades de trabalho, perpetuando a desigualdade”, explica a assistente social Ana Paula Almeida.

Horários flexíveis e autonomia para conciliar carreira e filhos

Comemorado no próximo domingo (10), o Dia das Mães reforça transformações importantes no mercado de trabalho, com a busca crescente por profissões que ofereçam flexibilidade, autonomia e melhores condições para equilibrar maternidade, carreira e rotina familiar. Para muitas mulheres, modelos de trabalho mais adaptáveis têm sido fundamentais para unir desenvolvimento profissional e presença ativa na criação dos filhos.

Mãe de Joaquim, de 2 anos, e Valentina, de 1 ano, Gelissa Mendonça Santos Barros, de 40 anos, encontrou na atuação como corretora de imóveis parceira da MRV, uma rotina que, apesar de intensa, proporciona maior liberdade para ajustar compromissos e estar mais presente na vida das crianças.

Gelissa divide o dia entre reuniões, atendimentos e visitas profissionais, mas faz questão de começar a rotina cedo para aproveitar momentos com os filhos antes de sair para o trabalho.“Eu tento acordar bem cedo para ficar um pouco com os meus filhos, pois geralmente só tenho hora para sair de casa”, relata a corretora.

Ao longo do dia, ela organiza as demandas de acordo com a urgência entre as duas profissões e busca, sempre que possível, retornar para casa no horário do almoço ou chegar antes do jantar das crianças.

A flexibilidade da carreira permite ajustes importantes, especialmente para manter uma rotina mais próxima da família. “Essas profissões me permitem muita flexibilidade. Sempre que posso, tento ir em casa para ficar um pouco com eles”, afirma Gelissa.

Entre os momentos mais especiais da maternidade, Gelissa destaca a importância de valorizar o tempo de qualidade com os filhos, principalmente nos pequenos gestos e na convivência diária.

Para ela, a possibilidade de adaptar a agenda profissional contribui para fortalecer os vínculos familiares, mesmo diante de uma rotina intensa. Nos finais de semana, a dedicação é integral à família, reforçando o compromisso de construir memórias e participar ativamente do crescimento de Joaquim e Valentina.