O Hemomar (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Maranhão) está precisando de doações de todos os tipos sanguíneos para manter os estoques em níveis capazes de atender a demanda hospitalar no estado. Segundo a assistente social do Setor de Captação de Doador Voluntário de Sangue e Medula Óssea, Frassinete Santos Araújo, o hemocentro precisa receber, em média, entre 280 e 300 bolsas por dia para evitar impactos no abastecimento.
Os números mais recentes mostram o tamanho da demanda enfrentada pela rede de hemoterapia maranhense. Entre janeiro e abril de 2026, o Hemomar registrou 15.044 bolsas de sangue coletadas em São Luís. Nos hemonúcleos, unidades da hemorrede instaladas em cidades estratégicas do interior, foram contabilizadas 30.684 bolsas. Ao todo, o Maranhão alcançou 45.728 bolsas coletadas no período.Apesar do volume, a necessidade permanece elevada. Segundo Frassinete, atualmente não existe um tipo sanguíneo em situação mais confortável que outro. A necessidade atinge todos os perfis. “Infelizmente a gente está precisando de todos”, afirmou.

A assistente social explica que todas as bolsas coletadas passam pela sorologia, etapa responsável pela realização de testes que identificam doenças virais e outras infecções que poderiam ser transmitidas durante uma transfusão. O processo é uma medida de segurança para pacientes e provoca uma perda média de 20% a 30% do material coletado.
“Se a gente for trazer esses 30% para 250 bolsas, por exemplo, vai ficar pouquinho. De 280 a 300 bolsas por dia não resolveria totalmente a situação, mas seria um bom paliativo”, disse.
É dessa necessidade que surge a importância das campanhas externas de coleta, quando equipes do hemocentro vão em busca de doadores em escolas, igrejas, instituições e outros espaços para ampliar o alcance das ações e ajudar a manter o estoque abastecido. “A parceria com essas instituições fortalece, ajuda a amenizar a demanda hospitalar e facilita o acesso do doador”, destacou.
Os períodos de maior movimentação no Maranhão também costumam ser os mais delicados para os estoques de sangue. Datas como Carnaval, São João e fim de ano concentram algumas das maiores quedas no número de doadores e, ao mesmo tempo, registram o aumento da demanda hospitalar. Acidentes, atendimentos de urgência e emergências acabam ampliando a necessidade por transfusões justamente quando menos pessoas procuram o hemocentro. “A demanda aumenta e a oferta diminui”, resumiu Frassinete.
Além das festividades, fatores sazonais também influenciam diretamente no comparecimento dos doadores. Gripe, viroses e outros quadros de saúde estão entre os principais motivos relatados por quem adia a ida ao hemocentro.
Segundo a assistente social, muitos voluntários manifestam interesse em doar, mas precisam aguardar a recuperação para se tornarem aptos novamente.
Corrente do bem
Doador desde 2016, Luis Fernando dos Santos Junior, de 27 anos, conta que não havia planejado a sua primeira doação e entrou por acaso nessa corrente do bem: “Eu comecei a doar sangue em 2016. Um grupo de amigos já tinha uma pessoa doadora e ela acabou chamando todos nós para doar um dia”, contou.
Na primeira experiência, ele lembra que o processo ocorreu de forma tranquila e sem receios. “Como fomos em um grupo de amigos e já havia sido explicado como seria todo o processo, não tive nenhum tipo de dúvida”, disse.
Com o passar do tempo, a doação ganhou um significado ainda maior.
“Doar sangue vai bem além de salvar vidas. Hoje, além de as bolsas serem usadas em pacientes em estado de emergência ou durante cirurgias e outros tratamentos, elas também são utilizadas para a produção de medicamentos farmacêuticos”, afirmou.
Para ele, a doação é um gesto simples que pode ajudar muitas pessoas. “São apenas 30 minutos a cada três ou quatro meses que podem fazer diferença na vida de até quatro pessoas”.
Saiba quem pode doar sangue
Para realizar a doação, o candidato precisa atender alguns critérios básicos estabelecidos pelo Hemomar. Entre eles estão:
- Estar em boas condições de saúde;
- Apresentar documento oficial com foto;
- Ter peso acima de 50 quilos;
- Estar alimentado, evitando alimentos gordurosos antes da doação;
- Ter dormido bem na noite anterior;
- Não ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores;
- Ter entre 16 e 69 anos (menores precisam de autorização do responsável; a primeira doação deve ocorrer até os 60 anos);
- Respeitar o intervalo entre as doações: homens podem doar a cada dois meses, até quatro vezes por ano; mulheres a cada três meses, até três vezes ao ano.
Coletas externas
As coletas externas acontecem durante todo o ano. A assistente social Frassinete Santos Araújo reforça que a é fundamental a participação dos volunários para manter o atendimento da rede hospitalar. “É um gesto de amor ao próximo. Você não encontra bolsa de sangue em farmácia; ela está no braço”, afirmou.
O Hemomar funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 12h, na Rua Cinco de Janeiro, s/n, bairro Jordoa, em São Luís.
Confira as próximas coletas externas programadas:
26 de maio – Grau Técnico / Centro
28 de maio – Hospital de São José de Ribamar
29 de maio – Faculdade Anhanguera
30 de maio – III Igreja Presbiteriana Independente