Política · entrevista

“Ele não fala comigo”: Eduardo Nicolau revela rompimento com atual PGJ e detalha candidatura à lista tríplice

Ex-Procurador-Geral de Justiça apresentou suas estratégias para a composição da lista tríplice, e afastou qualquer possibilidade de rompimento com o governador Brandão

Ex-Procurador-Geral de Justiça do Maranhão, Eduardo Nicolau, esteve nas instalações da Rádio de O Imparcial (Foto: João Pedro Castro)
Ex-Procurador-Geral de Justiça do Maranhão, Eduardo Nicolau, esteve nas instalações da Rádio de O Imparcial (Foto: João Pedro Castro)

O ex-Procurador-Geral de Justiça do Maranhão, Eduardo Nicolau, esteve nas instalações da Rádio de O Imparcial para uma entrevista ao vivo ao colunista político Felipe Klamt, no Programa Palpite. Com uma trajetória de 46 anos dentro do Ministério Público do Maranhão (MPMA), Nicolau se prepara para um novo desafio: a disputa da eleição interna, marcada para o dia 11 de maio, que definirá a lista tríplice a ser enviada ao governador Carlos Brandão.

Durante a conversa, Nicolau não se esquivou de temas complexos, desde a política interna da instituição até a crise de segurança pública provocada por organizações criminosas. Para ele, o Ministério Público deve atuar como um “porto seguro” para o cidadão, especialmente para aqueles que residem nas periferias e zonas rurais.

De assessor a sucessor

Um dos pontos de maior tensão e franqueza na entrevista foi quando Eduardo Nicolau abordou o rompimento de sua relação com o atual Procurador-Geral de Justiça, Danilo de Castro. Nicolau relembrou, com detalhes, que foi o principal mentor da ascensão de Castro, tendo-o nomeado como seu assessor por anos, elevando-o ao cargo de procurador e, por fim, indicado seu nome ao Governador Carlos Brandão para sucedê-lo no comando da instituição.

Entretanto, o ex-procurador lamentou o atual estado de distanciamento, revelando que, apesar do histórico de amizade e da trajetória construída lado a lado, ambos não se falam mais. “Ele não fala comigo e eu também não o procuro mais”, desabafou Nicolau, evidenciando uma mágoa profunda com o isolamento político e pessoal que se instalou após a transição de poder no oitavo andar da Procuradoria-Geral.

A Interiorização e o atendimento distrital

Um dos pontos centrais da plataforma de Eduardo Nicolau é a expansão das promotorias distritais. Segundo o ex-PGJ, a estrutura do Ministério Público não pode ficar restrita aos grandes centros administrativos. “O povo carente muitas vezes não tem o dinheiro da passagem para ir ao Centro reclamar seus direitos. Por isso, instalei sete promotorias distritais em bairros como Cidade Olímpica e Coroadinho”, afirmou.

Nicolau defende que o promotor de justiça deve ser uma figura presente na comunidade, atuando diretamente em questões de saúde, educação e segurança alimentar. “O Ministério Público precisa estar onde o povo está. Temos que receber as pessoas de coração aberto e riso largo, porque quem procura o promotor é quem não tem dinheiro para pagar advogado caro”, pontuou.

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