Em um movimento de bastidores que reflete a tensão política em Brasília, os comandantes das Forças Armadas têm sinalizado que a maior ameaça à estabilidade do país não reside em conflitos externos ou no crime organizado, mas na demora do Congresso Nacional em votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que proíbe militares da ativa de ocuparem cargos civis ou disputarem eleições. A articulação busca blindar as instituições militares de novas crises de imagem e hierarquia, especialmente diante do cenário polarizado que antecede as eleições de outubro.
A preocupação da caserna ganhou contornos mais nítidos com o avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto, figurando como o principal adversário do presidente Lula. Para a atual cúpula militar, a possibilidade de uma vitória da oposição traz o receio de que o método de integrar milhares de oficiais em postos estratégicos do governo seja retomado.
Esse modelo, amplamente utilizado na gestão anterior, é apontado por analistas e pelos próprios comandos como o estopim para a politização dos quartéis e para o envolvimento de militares em planos de ruptura democrática investigados pela Justiça.
Dentro do Palácio do Planalto, auxiliares diretos do governo corroboram a tese de que a aprovação da PEC é uma medida profilática essencial.
Interlocutores governistas afirmam que, sem a trava legal, um eventual retorno da ala política conservadora ao poder poderia resultar novamente no uso das Forças Armadas como ferramenta de apoio a projetos de poder específicos, o que fragilizaria a disciplina e a função constitucional da instituição.
O clima de urgência é compartilhado por oficiais que desejam desvincular definitivamente a imagem da farda de disputas partidárias.
O texto da PEC, que aguarda deliberação legislativa, é visto como a “vacina” necessária para evitar que a estrutura do Estado seja loteada por agentes seduzidos pela política partidária.
Enquanto o Congresso não define o cronograma de votação, o alto comando militar mantém a pressão para que a regra seja estabelecida antes que o processo eleitoral atinja seu auge, garantindo que as Forças Armadas permaneçam como instituições de Estado e não como atores de um novo ciclo de instabilidade política.