Uma investigação sobre documentos societários e registros de cartório revelou que a chamada “Ilha da Paixão”, uma propriedade de luxo avaliada em aproximadamente R$ 20 milhões, está vinculada ao empresário Augusto Lima. A conexão foi estabelecida por meio de uma estrutura financeira que envolve fundos de investimento e empresas de participações. A propriedade, que ocupa uma área de 10 mil metros quadrados, conta com infraestrutura de alto padrão, incluindo heliponto, praia privada, piscina, sauna e áreas de lazer completas.
A trajetória documental do imóvel mostra que o direito de ocupação foi negociado em julho de 2023 por R$ 1,3 milhão, valor significativamente inferior à avaliação de mercado.
A transação beneficiou a empresa RC Participações, Assessoria e Consultoria Empresarial S.A., uma sociedade anônima com capital social de R$ 45,5 milhões. Segundo registros da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), a área mantém sua ocupação regularizada desde o final da década de 80, situada na região de Candeias.
A estrutura dos fundos de investimento
O rastreamento da propriedade revela uma engenharia financeira sofisticada. A RC Participações pertence ao Falcon Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, adquirido no início de 2023. No topo dessa pirâmide está o fundo Haena 808, que detém o controle do Falcon.
Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), analisados pela CPI do Crime Organizado, apontam que Augusto Lima figurou como o único cotista deste fundo controlador entre março de 2023 e dezembro de 2025.
Essa descoberta coloca o empresário no centro das atenções das autoridades que investigam a origem e a movimentação de grandes patrimônios ligados a estruturas de fundos fechados.
A utilização de múltiplas camadas societárias e fundos de investimento é uma prática comum no mercado financeiro, mas, neste caso, a análise técnica da CVM servirá como base para os desdobramentos da comissão parlamentar de inquérito sobre as atividades do empresário.