A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada nesta quarta-feira (29), de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual deve influenciar o mercado de crédito brasileiro pelos próximos 45 dias.
Para o setor imobiliário, o impacto da queda varia conforme a modalidade de crédito escolhida, concentrando-se principalmente nos financiamentos realizados fora do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
No atual cenário, o MCMV opera com juros pré-estabelecidos pelo Governo Federal. Com as recentes reformulações, famílias com renda de até R$ 13 mil podem se enquadrar na Faixa 4, com juros limitados a 10% ao ano. A mudança ampliou o alcance do programa, que até abril do ano passado restringia seu teto à Faixa 3, voltada para rendas de até R$ 8 mil mensais.
Apesar das taxas fixas, o programa habitacional não está totalmente isolado do cenário macroeconômico. O saldo devedor é corrigido mensalmente pela Taxa Referencial (TR), que sofre influência direta da inflação.
Em períodos de alta inflacionária, a Selic tende a subir, elevando a TR e, consequentemente, o valor das parcelas. A Caixa Econômica Federal classifica a TR como um indexador estável, indicando que, embora ocorram alterações, não há previsão de disparadas abruptas nos valores.
O cenário econômico global, no entanto, impõe cautela. As projeções de inflação para 2026 subiram devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã, que pode pressionar o preço do petróleo e reduzir o poder de compra das famílias brasileiras.
Fora do MCMV, os financiamentos pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) apresentam juros mais elevados, oscilando entre 10,65% e 14,68% ao ano, a depender do relacionamento do cliente com a instituição financeira.