O Banco Central (BC) indicou, em reunião técnica realizada na manhã desta terça-feira (7 de abril), que mantém a perspectiva de um novo corte na taxa básica de juros, a Selic, na ordem de 0,25 ponto percentual. O encontro trimestral entre diretores da instituição e economistas do mercado ocorreu sob a sombra da guerra no Oriente Médio, que tem pressionado os preços globais de energia e gerado revisões nas projeções inflacionárias.
Representando o BC, o diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti, ouviu as análises do setor privado sobre o cenário pós-divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM).
Atualmente fixada em 14,75% ao ano, a Selic vive um momento de cautela, onde o tom modesto do ajuste reflete a necessidade de equilibrar o controle da inflação com os riscos de desaceleração econômica.
O “choque de energia” e a transmissão de preços
O ponto central de convergência entre os analistas foi a preocupação com o preço do petróleo. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a commodity saltou de US$ 70 para patamares que superam os US$ 110, atingindo picos de US$ 119.
Apesar da alta expressiva, os economistas ressaltaram uma incerteza: a intensidade da transmissão desse custo para o consumo final no Brasil ainda tem se mostrado menor do que o esperado. Contudo, o mercado já reagiu ajustando as curvas de juros para cima e encorpando as projeções de inflação para os próximos meses, o que limita o espaço para cortes mais agressivos na taxa de juros.
Desafios fiscais e comunicação
Outro tema de destaque no debate foi o impacto fiscal da guerra. Os especialistas alertaram que as medidas de desoneração ou subsídios para frear a alta dos combustíveis devem deteriorar a relação entre receitas e despesas do governo, trazendo a questão fiscal de volta ao centro das atenções assim que o cenário geopolítico estabilizar.
Houve também críticas à forma como o BC tem se comunicado com o mercado. Alguns economistas pontuaram que a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e o RPM não deixaram clara a estratégia da autoridade monetária para o longo prazo, sugerindo melhorias na clareza das mensagens para evitar volatilidade excessiva.
Projeções de crescimento
O cenário para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro permanece conservador. As estimativas de crescimento para 2026 foram mantidas em torno de 1,7%, mas os participantes da reunião destacaram um “viés de baixa”, indicando que o número pode ser revisado para menos caso as tensões internacionais e o preço da energia continuem a sufocar a atividade econômica doméstica.