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Atritos entre ministro e ex-presidente motivaram troca no comando do INSS

Divergências interpessoais e falta de sintonia com Wolney Queiroz precipitaram a saída de Gilberto Waller da autarquia

Atritos entre ministro e ex-presidente motivaram troca no comando do INSS

A demissão de Gilberto Waller Júnior da presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ocorrida nesta segunda-feira, foi motivada por um desgaste irreversível na relação com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz. Interlocutores de ambos os lados confirmam que a convivência entre o titular da pasta e o agora ex-presidente era marcada por conflitos frequentes, o que tornou a permanência de Waller insustentável no cargo.

Aliados de Waller relataram que a exoneração causou surpresa, uma vez que o ex-presidente não teria sido avisado previamente sobre a decisão. O comunicado da dispensa foi feito pelo secretário-executivo do ministério, e não diretamente pelo ministro Queiroz. Vale ressaltar que o ministro foi um dos poucos nomes da Esplanada a permanecer no posto após o recente período de desincompatibilização eleitoral, reforçando sua influência política no setor.

A trajetória de Waller na autarquia começou sob orientação direta do Palácio do Planalto, em uma articulação que envolveu nomes do primeiro escalão do governo para conter a crise deixada pela gestão anterior. Naquele momento, o órgão estava no centro de investigações sobre fraudes bilionárias. No entanto, a nomeação do ministro Wolney Queiroz ocorreu apenas dois dias após a definição da presidência do INSS à época, estabelecendo desde o início um cenário de falta de sintonia entre a escolha técnica e a conveniência política da pasta.

Um detalhe que chamou a atenção no dia da substituição foi a cronologia das publicações oficiais. Apenas nove minutos após a nota que oficializava a entrada da servidora Ana Cristina Silveira na presidência, o site oficial do INSS divulgou dados sobre uma redução na fila de benefícios, que baixou de 3,1 milhões para 2,7 milhões de processos em março. A divulgação da marca histórica de produtividade foi vista nos bastidores como um esforço da gestão de Waller para demonstrar resultados positivos no momento exato de sua saída forçada.