Brasil · avanço na saúde

SUS lança teleatendimento para pessoas com vício em apostas

Novo serviço oferece até 13 sessões gratuitas via Meu SUS Digital; iniciativa conta com investimento de R$ 2,5 milhões e parceria com o Sírio-Libanês

(Foto: Marcello Casal/Arquivo/Agencia Brasil)
(Foto: Marcello Casal/Arquivo/Agencia Brasil)

O Ministério da Saúde oficializou, nesta terça-feira (3), a implementação de um sistema nacional de teleatendimento especializado para pessoas que enfrentam problemas com jogos de apostas. Anunciado pelo ministro Alexandre Padilha, o serviço utiliza a tecnologia para romper a barreira do estigma e do “silêncio” que cercam o vício em apostas (ludopatia). A estratégia, fruto de uma parceria com o Hospital Sírio-Libanês via Proadi-SUS, permite que cidadãos busquem ajuda psicológica de forma reservada e gratuita, sem a necessidade de deslocamento inicial a uma unidade física.

Com um investimento de R$ 2,5 milhões, a meta inicial é realizar 600 atendimentos mensais para adultos e seus familiares. A medida responde a um crescimento alarmante de comportamentos problemáticos com apostas online: em 2025, o SUS realizou mais de 6 mil atendimentos presenciais sobre o tema, número que as autoridades acreditam ser apenas uma fração da demanda real.

Para complementar o suporte clínico, o governo integrou o serviço à Plataforma de Autoexclusão do Ministério da Fazenda, permitindo que o usuário bloqueie voluntariamente seu acesso a sites de apostas autorizados.

Como funciona o fluxo de cuidado digital

A porta de entrada para o tratamento é o aplicativo Meu SUS Digital. Ao acessar o ícone específico sobre apostas na área de “Miniapps”, o usuário responde a um autoteste validado cientificamente. Se o sistema identificar risco moderado ou alto, o agendamento para a teleconsulta é automático.

O modelo de cuidado prevê ciclos de até 13 encontros por vídeo, com duração de 45 minutos cada, conduzidos por equipes multiprofissionais formadas por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com retaguarda psiquiátrica se necessário.

O atendimento é totalmente confidencial e protegido pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Caso o paciente apresente um quadro de risco baixo, o aplicativo direciona para a rede presencial, como os CAPS e Unidades Básicas de Saúde.

Além do suporte direto, o Ministério publicou novas diretrizes clínicas para capacitar profissionais de toda a rede pública e disponibilizou o canal 136 (Ouvidoria do SUS) para tirar dúvidas sobre o novo serviço 24 horas por dia.