Política · justiça

STF adia julgamento de Josimar de Maranhãozinho e Pastor Gil 

Primeira Turma do STF encerrou nesta terça as duas primeiras sessões que analisam as acusações de organização criminosa e corrupção passiva contra os parlamentares

Os deputados Josimar Maranhãozinho (MA) e Pastor Gil (MA), ambos do PL (Foto: Mário Agra e Cleia Viana/Câmara)
Os deputados Josimar Maranhãozinho (MA) e Pastor Gil (MA), ambos do PL (Foto: Mário Agra e Cleia Viana/Câmara)

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu adiar para o dia 17 de março a continuidade do julgamento que envolve os deputados federais Josimar de Maranhãozinho e Pastor Gil, além do ex-deputado Bosco Costa. O caso é analisado pela Primeira Turma da Corte no âmbito da Ação Penal 2670, que apura suspeitas de corrupção e organização criminosa relacionadas à destinação de emendas parlamentares.

O adiamento ocorreu após a leitura do relatório e as manifestações da acusação e das defesas durante a sessão desta terça-feira (10). Segundo o relator do processo, o ministro Cristiano Zanin, o voto a ser apresentado é extenso e exigirá mais tempo de análise pelos ministros.

Diante disso, a continuidade do julgamento foi transferida para a sessão da próxima semana, evitando que o debate comprometa a pauta de julgamentos prevista para os dias seguintes.

Pedido de condenação dos acusados foi reinteirado

Na sessão, a Procuradoria-Geral da República reiterou o pedido de condenação dos acusados, sustentando que os parlamentares teriam condicionado o envio de cerca de R$ 6,6 milhões em emendas parlamentares ao município de São José de Ribamar ao pagamento de aproximadamente R$ 1,6 milhão em propina, equivalente a 25% do valor destinado.

De acordo com a denúncia, o grupo teria estruturado um esquema com divisão de tarefas entre parlamentares, assessores e intermediários para pressionar gestores municipais a devolver parte dos recursos federais após a liberação das verbas. A acusação sustenta ainda que Josimar de Maranhãozinho teria exercido papel de liderança na suposta organização, coordenando a destinação das emendas e a distribuição das vantagens indevidas.

As defesas dos parlamentares, por sua vez, negaram qualquer irregularidade e afirmaram que não há provas diretas de que os deputados tenham recebido valores. Os advogados também questionam a validade de parte das provas coletadas durante a investigação, alegando falhas na cadeia de custódia de dados digitais e dificuldades de acesso integral ao material reunido pela investigação.

A retomada do julgamento está prevista para a próxima terça-feira (17), quando os ministros da Primeira Turma deverão iniciar a análise do voto do relator e, em seguida, apresentar suas posições sobre o mérito da ação penal. A decisão poderá definir se os parlamentares serão condenados ou absolvidos das acusações, além de possíveis consequências como perda de mandato e inelegibilidade.

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